quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A pipa do meu vô não sobe mais

Meu vô é mestre em pipas. Pipas, ou papagaios, como queiram. Eu prefiro chamar de pipa. Pois bem, meu avô é expert na arte de construir pipas. Pipas que rasgam o céu azul de Santo Antônio da Platina, voando levemente com a brisa das férias. Minha maior lembrança da infância é ver meu vô vendendo pipas e jujóias (ou saquinhos, ou sacolés) nas tardes quentes do verão platinense.

Eu passava horas e mais horas na casa da minha vó durante as férias. Às vezes meu primo também ia. Nos dias mais animados, brincávamos com os vizinhos em um terreno abandonado ali do lado. Fazíamos caça ao tesouro, que não passava de uma latinha ou qualquer outro objeto que achávamos. Ou simplesmente ficávamos conversando sentados nas ruínas do que um dia tinha sido uma casa, enquanto tentávamos destruir as pequenas paredes que ainda estavam em pé. Os tijolos mais antigos são mais resistentes!

Em outros dias, outros tempos, brincávamos de carrinho de rolemã na rua da casa da minha vó, íngreme e não tão movimentada como hoje. Lembro de minha vó gritando pra gente brincar na calçada. Eu não gostava da calçada: me fez arrancar uma lasca da ponta do dedão do pé em uma descida mal planejada pelos co-pilotos. O freio falhou e eu estava de chinelo. Ou eu parava com meu pé na calçada de cimento ou ia direto para a rua e um buraco do outro lado, correndo o risco ainda de ser atropelado. Fiquei com a primeira opção.

Bom, mas voltando às pipas, dizia que meu vô é mestre nessa arte. Nas férias, vendia cerca de 10 a 15 por dia! Os garotos deviam me invejar por não ter que pagar minha pipa e ainda poder escolher a cor e o tamanho da rabiola (a cauda, feita com tiras de sacolas de plástico). E ainda tinha jujoia de graça! Qualquer sabor, a qualquer hora. Era a infância perfeita na casa da minha vó.

Hoje meu vô não constroi mais pipas com a agilidade de antigamente. Não que sua técnica tenha sido esquecida ou seus movimentos tenham ficado menos ágeis. É que não precisa mais atender a tanta demanda. Vende uma, ou duas, por semana. Segundo minha vó, os garotos aprenderam a fazer pipa. Não precisam mais comprar. O papel encontra em qualquer papelaria, com inúmeros desenhos, de todos os tipos e cores. O bambu é fácil de achar no supermercado ou em lojas de produtos rurais. Tudo ficou muito fácil. E meu vô não vende mais pipas. Mas eu garanto que nenhum desses garotos conhece a arte de construir pipas. Só sabem fazer. Isso até eu sei. Mas construir mesmo, com toda a engenharia milimétrica, rústica e apurada, é só com meu vô. Eles não sabem o que estão perdendo!

Texto: Eduardo Godoy

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Incêndio destroi duas casas

Um incêndio no Jardim São Cristóvão na madrugada da terça-feira, 28, deixou duas casas de madeira destruídas. O fogo, que começou à 01h20, só foi controlado por volta das 2h30. Já o rescaldo deve prosseguir até cerca das 3h. Ninguém ficou ferido, apesar das chamas terem alcançado em torno de 10 metros. A família conseguiu retirar a tempo um botijão de gás e colchões, porém móveis, roupas e eletrodomésticos foram todos queimados. A tragédia mobilizou dois caminhões do Corpo do Bombeiros, uma ambulância e outra viatura da corporação. Dezenas de pessoas saíram de suas casas para acompanhar o trabalho do Corpo de Bombeiros, além de órgãos da imprensa, como o portal de notícias npdiario.com, jornal Tribuna do Vale e as rádios Difusora Platinense AM e Vale do Sol FM. É a primeira vez que ocorre um incêndio de tamanha proporção na vila e arredores.





Texto: Eduardo Godoy

Fotos: Eduardo Godoy

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Depois De Nós

Engenheiros do Hawaii
Composição: Carlos Maltz


Hoje os ventos do destino
Começaram a soprar
Nosso tempo de menino
Foi ficando para trás
Com a força de um moinho
Que trabalha devagar
Vai buscar o teu caminho
Nunca olha para trás

Hoje o tempo voa nas asas de um avião
Sobrevoa os campos da destruição
É um mensageiro das almas dos que virão ao mundo
Depois de nós

Hoje o céu está pesado
Vem chegando temporal
Nuvens negras do passado
Delirante flor do mal
Cometemos o pecado
De não saber perdoar
Sempre olhando para o mesmo lado
Feito estátuas de sal

Hoje o tempo escorre dos dedos da nossa mão
Ele não devolve o tempo perdido em vão
É um mensageiro das almas dos que virão ao mundo
Depois de nós

Meninos na beira da estrada escrevem mensagens com lápis de luz
Serão mensageiros divinos, com suas espadas douradas, azuis
Na terra, no alto dos montes, florestas do Norte, cidades do Sul
Meninos avistam ao longe
A estrela do menino Jesus

domingo, 19 de dezembro de 2010

Natal do consumismo

Mais um Natal. Mais uma vez o consumismo ofuscando o motivo principal da festa. Em 2009 já escrevi sobre isso nesse mesmo espaço. Tinha esperanças que em 2010 o nascimento de Jesus aparecesse mais em relação à forma capitalista de comemorar. Que engano. As propagandas com produtos natalinos começaram no início de novembro, há cerca de dois meses da data.

Comprar, comprar e comprar! Este é o grito de guerra que move os consumidores. “É só uma lembrancinha”, “Presente de amigo-secreto”, “Tenho que fazer uma lista pra não esquecer de ninguém”, “Meu 13º vai todo pra comprar presentes”. Essas são as frases mais ouvidas em reportagens sobre compras de Natal na 25 de Março, em São Paulo (‘carne de vaca’ que faz parte do calendário jornalístico contemporâneo). Para os vendedores e empresários, vender, vender e vender! Tenho a impressão de que antes de começarem a jornada de 14 horas exaustivas de consumismo desenfreado, os lojistas gritem “vender, vender e vender!”.

As metas aumentam a cada ano. Porcentagens só sobem. Produtos estão sempre mais modernos. Crianças querem sempre mais. E no meio disso tudo, até os presépios vão desaparecendo das vitrines. Quem deu início a toda essa festa é esquecido, renegado às pequenas representações. Ninguém mais lembra o porquê de tantas compras, tanta comilança na ceia do dia 24, tanta confusão pelos melhores presentes.

Jesus? Ah... é aquele que nasceu na Páscoa, não é? O cara que realmente importa em dezembro é o Papai Noel. E em 2011, infelizmente, será da mesma forma.
Texto: Eduardo Godoy

sábado, 18 de dezembro de 2010

Natal de Luz 2010 encanta público do Norte Pioneiro

O Natal de Luz 2010 começou no último sábado, 11, com público estimado em 2,5 mil pessoas. Com o tema “Tradição, Cultura e Fé”, o grupo, de 109 crianças e adolescentes, pretende mostrar os traços culturais brasileiros com muita música, cores e luzes. Ao final de cada apresentação, um espetáculo de fogos de artifício encanta o povo que assiste durante uma hora a apresentação, em pé, em frente ao Centro Pastoral Catequético Frei Clemente Vendramin. O show é organizado pelo Grupo de Canto Sementinha, Spaço Arte e Música e Paróquia Santo Antônio de Pádua, sob coordenação de Neuzeli França Ribeiro César e Marly Prado Papi Crespo. O evento, que em 2011 completa 10 anos, é patrocinado pelo Sicredi, Bordignon, Samp Fiat e Schmidt Honda, com apoio da Prefeitura Municipal de Santo Antônio da Platina. As próximas apresentações serão no domingo, 19, e o encerramento na quinta-feira, 23 de dezembro, com grande show pirotécnico ao final. Confira algumas fotos da apresentação de ontem, sexta-feira, 17.








Texto: Eduardo Godoy

Foto: Eduardo Godoy

Natal da Apae conta com 185 Papais Noéis

O Papai Noel chegou à Apae de Santo Antônio da Platina. Ele entregou 185 presentes doados pela comunidade platinense no projeto “Madrinhas e Padrinhos do Natal da Apae”, realizado todo ano. Cada madrinha ou padrinho adotou um ou mais alunos da entidade para a doação de um brinquedo. A entrega, feita pelo Bom Velhinho, aconteceu na sexta-feira, 10, nos períodos da manhã e tarde.Além dos presentes, os alunos aprenderam sobre a história do presépio de Natal e escutaram passagens bíblicas. No final, o Papai Noel levou os estudantes ao delírio na entrega dos brinquedos.

Segundo a diretora da Escola de Educação Especial Renascer, Rita de Cássia Botareli, a solidariedade do povo platinense novamente se fez presente. “É mais um momento em que vemos como a comunidade confia no nosso trabalho”, afirma Botareli. Segundo ela, a Escola Renascer e o Centro Clínico Especializado, mantidos pela Apae, atendem 185 pessoas, de 0 a 60 anos com deficiência intelectual ou múltipla.

Apae em 2010
Durante o ano, a Apae realizou inúmeros projetos e teve diversas conquistas. O Grupo Renascer, de fanfarra, flauta doce e canto, participou do Festival Estadual Nossa Arte, se apresentando no Teatro Guaíra, em Curitiba. Em agosto houve a Semana da Pessoa com Deficiência Intelectual ou Múltipla, levando informações às escolas, bancos e comunidade platinense. O Centro de Equoterapia começou a funcionar na Apae Rural, com um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo em uma abordagem multidisciplinar, buscando o desenvolvimento biopsicossocial do assistido.

Em parceria com o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Norte Pioneiro (Cisnorpi), o Centro Clínico Especializado entregou 26 aparelhos de tecnologia assistiva, como cadeiras de rodas adaptadas, órteses, carrinhos de rodas, andadores, estabilizadores e cadeiras de banho. E a construção da Nova Apae continua, com o Salão de Eventos, Centro Profissionalizante, casa para vigia e Caixa coletora de água da chuva.

De acordo com o secretário regional da Apae, Alexandre Augusto Botareli César, “mais do que a construção de prédios, entendemos que a maior obra da Apae está em trabalhar na construção de cidadania para as pessoas com deficiência intelectual e múltipla que atende”. Na próxima semana será distribuído gratuitamente à comunidade platinense a quarta edição do Vejapae, uma revista com as realizações do ano, prestação de contas e informações sobre a Escola Renascer.


Texto: Eduardo Godoy
Foto: Eduardo Godoy

Rock in Rio: brasileiro até que medida?

Platéia na Cidade do Rock - Rock in Rio 2010 Lisboa



por Afonso Verner

Depois de anos longe, o Rock in Rio voltou à terra tupiniquim. A última edição no Brasil (2001) teve atrações internacionais como Iron Maiden, Foo Figthers, Guns N' Roses e Red Hot Chili Peppers. Na edição de 2011 o festival promete agradar com os shows já confirmados das bandas ‘gringas’ Coldplay, Motorhead, Snow Patrol e Metallica. Mas, em termos de atrações nacionais, o Rock in Rio 2011 deixa a desejar.

Na sua primeira edição (1985), o Rock in Rio teve na programação artistas principiantes no cenário musical brasileiro - como Lulu Santos, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Kid Abelha - que depois se tornaram referência para as próximas gerações. Na edição seguinte (1991) a organização continuou a acertar na escolha dos shows nacionais e internacionais. Dentre os gringos que subiram ao palco estavam Jimmy Cliff e Judas Priest; os brasileiros foram bem representados por Engenheiros do Hawaii, Titãs, Roupa Nova, Sepultura, Inimigos do Rei, Lobão, Paulo Ricardo, Capital Inicial, Léo Jaime e Nenhum de Nós. Em 2001 o destaque internacional foi para o Iron Maiden; já nesta edição notava-se a queda das atrações nacionais; nesse ano o destaque era Cássia Eller, que estava no auge da sua carreira. Antes divido entre três ou quatro artistas, agora o peso de atração principal do Rock nacional recaía apenas sobre a cantora.

Desde então o cenário nacional ficou estagnado. No festival de 2011 as atrações, legitimamente brasileiras, são quase todas remanescentes da década de 90 e até de 80; como Skank, Capital Inicial, Sepultura e Angra; fato que reflete a baixa produtividade do Rock Nacional nos últimos anos. A única exceção é a cantora Pitty, que participou da gravação do ‘jingle’ do Festival. A baiana de 33 anos lançou seu primeiro CD no ano de 2003 e participou do Rock In Rio Lisboa (2004), além de ter gravado ao lado de lendas do Rock Nacional, como no Acústico MTV da Banda Ira.

Contudo, apenas um artista em dez anos é muito pouco para o cenário roqueiro nacional. A escassez de atrações brasileiras, vindas da nova safra, na programação do Festival não é culpa ou escolha da organização. Parece mais com um conjunto de fatores, que envolve o público, meios de comunicação e as grandes gravadoras. O país tem sofrido uma invasão de ‘roqueiros’ que vestem colorido e falam de ‘amor adolescente’; o Rock politizado tem perdido espaço e se retido aos porões, cada vez menos freqüentados. Não é meu intuito entrar no mérito de isso é bom ou aquilo é ruim, mas desde a virada do milênio o Brasil perece de Bandas de Rock.

As últimas bandas aclamadas pela mídia e pelo público são do final da década de 90 e parte delas já se desfez. O Raimundos praticamente acabou depois da saída do vocalista Rodolfo Abrantes. Hoje o grupo voltou à estaca zero, atuando quase como uma banda independente. Rodolfo montou o Rodox, banda formada por músicos já rodados na cena, como o baterista Fernando Schaefer (ex-Pavilhão 9 e Korzus) e o guitarrista Patrick Laplan (atual Eskimo, ex-Biquini Cavadão e Los Hermanos). O grupo propôs um som pesado, intitulado por alguns como Hardcore Cristão, porém que não durou muito: em menos de dois anos o Rodox se desfez com uma briga em pleno show. O Charlie Brown Junior passou pela situação inversa: apenas o vocalista permaneceu e todos os outros integrantes deixaram o projeto. Chorão recrutou novos membros e continuou o trabalho, mas a banda nunca mais foi a mesma e o seu som mudou consideravelmente. Champignon assumiu o baixo da banda Nove Mil Anjos, formada também por Peu Sousa (guitarrista, ex-Pitty), Junior Lima (baterista, ex-Sandy & Junior) e Péricles Carpigiani (vocalista, ex-Fuga). O grupo logo ganhou destaque na mídia, já que os integrantes tinham fama individual anteriormente, porém esse sucesso não se repetiu com o Nove Mil Anjos, que não agradou nem publico nem crítica. Outras bandas como Tihuana, Detonautas, Matanza, Dead Fish, CPM 22 (deixando de citar várias outras) não renderam o que os críticos e o público esperavam e acabaram por ocupar um lugar secundário na mídia.

Se a descoberta de novas bandas virá em tempo ou não, aí é uma questão que foge do nosso controle. Mas a constatação de que o país anfitrião do Festival não terá a representação devida nos palcos é algo preocupante. Porém, é prepotência imaginar que o Brasil não tem bandas competentes o bastante para representá-lo bem. Basta imaginar que essas bandas estão por aí, perdidas em algum barzinho ou porão, sem ter o espaço midiático merecido. O que resta é descobri-las.

Texto: Afonso Verner
Foto: Agência Zero - http://www.flickr.com/photos/rockinrio/5126621811/

sábado, 27 de novembro de 2010

Financiamento é liberado para construção do Centro de Música

Na manhã deste sábado, 27, o governador do Paraná, Orlando Pessuti (PMDB), assinou a liberação de verba estadual para que seja construído o Centro de Música de Ponta Grossa. A assinatura aconteceu na Câmara Municipal e foi acompanhada pelo prefeito Pedro Wosgrau Filho (PSDB), o secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e superintendente do ParanáCidade, Wilson Lipski, deputado estadual Péricles de Mello (PT), reitor da UEPG, João Carlos Gomes, presidente do Legislativo de Ponta Grossa, Alessandro Lozza (PSDB), secretário municipal de Planejamento, Ribamar Krüger, secretário municipal de Governo, João Barbiero, e outras autoridades.

O prédio será erguido no terreno das antigas Indústrias Wagner (próximo ao Muffato, região de Olarias), onde está em pé somente uma de suas chaminés, tombada pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico (foto). O Centro de Música custará R$ 4,3 mi, por meio de financiamento do Governo Estadual. No mesmo local será construída ainda a nova Biblioteca Municipal, no valor de R$ 3,7 mi. Há um projeto de construção também da Pinacoteca de Ponta Grossa.

Segundo o maestro da Banda Lyra dos Campos, Juliano Amaral, o Centro “é um excelente projeto, porque Ponta Grossa é uma cidade musical, tem várias bandas, tem orquestra, tem banda militar e o Centro de Música vai agrupar tudo isso em um só local”. De acordo com ele, mesmo não sendo no centro da cidade, os grupos irão ganhar com o projeto. “É um local amplo que vai ter bastante condição de melhorar o nível dos músicos de Ponta Grossa e não é tão afastado do centro”, conclui Amaral.

Lyra dos Campos faz concerto
A Banda Lyra dos Campos faz uma apresentação especial no dia 15 de dezembro, às 20h, no auditório A do Cine-Teatro Ópera. Segundo o maestro Juliano Amaral, o concerto terá um repertório especial. “É um repertório bem eclético, trabalhado o ano inteiro pela Banda, que vai do erudito ao popular”, conta Amaral. A entrada será franca.

A Banda Escola Lyra dos Campos completou 58 anos de fundação no dia 22 de novembro. Começou com 24 componentes e sob regência de maestro Paulino Martins Alves, que hoje dá nome ao Conservatório Musical. Hoje conta com 50 alunos e um quadro de troféus invejável por bandas e fanfarras.


Texto: Eduardo Godoy

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Cobertura fotojornalística - Tércio Albuquerque

O secretário estadual de Trabalho, Emprego e Promoção Social do Paraná, Tércio Albuquerque, esteve em Ponta Grossa na manhã da quinta-feira, 25. Albuquerque comandou a primeira reunião descentralizada do Conselho do Trabalho do Paraná. Na visita à Agência do Trabalhador local, conheceu os serviços prestados aos trabalhadores da cidade, como uma sala montada para atendimento de INSS, outra para Qualificação do Trabalho e ainda o programa Lanche Saúde, que distribui sanduíche e suco aos trabalhadores que passam pela Agência. Ele concedeu ainda entrevista exclusiva à Fabíola Thibes, da Rádio CBN - Ponta Grossa.

Um dos principais motivos para a visita foi o anúncio da implementação do Banco Social em Ponta Grossa. No programa, é concedido empréstimo à chefes de família que queiram iniciar uma micro ou pequena empresa. "Os valores vão de R$ 300 a R$ 10 mil, que podem ser utilizados para compra de máquinas de costura, como exemplo", conta Albuquerque. Após o pagamento do empréstimo, a mulher empreendedora pode ser atendida pelo Banco de Fomento, chegando a R$ 300 mil.

Na parte da tarde, o secretário participou de uma reunião com o prefeito Pedro Wosgrau Filho, o presidente do Conselho Municipal do Trabalho, Luiz Gustavo Batista de Carvalho e o superintendente estadual do Trabalho e Emprego, Elias Martins, que representou o Ministro do Trabalho e Emprego. Foi assinada a resolução 299/2010, que trata das Normas Operacionais Básicas do Conselho Público do Trabalho. Foi conversado também sobre a transferência patrimonial (mobiliários, equipamentos, materiais, maquinários e um veículo) do Estado para o Município.

Confira as fotos da visita à Agência do Trabalhador:

























Texto:
Eduardo Godoy
Fotos: Eduardo Godoy

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Exposição mostra trabalhos de alunos de projeto social

Foi lançada hoje, 24, no Shopping Total, a exposição artística do Projeto Descobrindo Novos Talentos, da Unimed Ponta Grossa. Ao longo do último semestre, 60 alunos da Escola Municipal Professora Kazuko Inoue, em Uvaranas, tiveram atividades na área de artes com um artista plástico e uma assessora. A mostra tem o objetivo de expor as telas pintadas pelos participantes do programa como uma forma de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido.

A parceria entre a Unimed Ponta Grossa e a Prefeitura Municipal já dura cinco anos, com quase mil alunos atendidos de diversas escolas municipais. A escolha dos estabelecimentos beneficiados é feita pelo Departamento de Educação do Executivo, levando em conta as escolas que têm mais necessidade de ações culturais, isolamento geográfico e que precisam de apoio privado na área artística. Já à empresa fica responsável pela contratação dos profissionais que ministram as aulas e organização do programa.

Segundo o chefe regional do setor de Responsabilidade Social da Unimed, Jorge Soistak, as atividades são feitas no contra-turno escolar. “A participação é aberta e os alunos não são obrigados a continuar, porém vemos que a adesão é grande”, conta Soistak, lembrando ainda que os estudantes que têm maiores dificuldades nas relações sociais e no desempenho escolar são convidados a participar. “Esse são, inclusive, os que têm mais aproveitamento no programa”, completa.

De acordo com Soistak, o projeto, rotativo, é desenvolvido a cada semestre e traz contribuições notáveis aos alunos atendidos. “É visível a melhora das notas e também na área organizacional e educacional dos alunos”, diz.

O lançamento da exposição contou ainda com apresentação natalina e entrega de medalhas para os alunos participantes. A mostra fica aberta à visitação no Shopping Total, no bairro Nova Rússia, nos mesmos horários de funcionamento das lojas.

Texto: Eduardo Godoy

Dez alunos são indicados para título 'Garota Entorta Foca'


A coordenação do bloco 'Entorta Foca', dos alunos e professores do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para a Münchenfest, divulga amanhã, 25, a lista com os dez indicados para o título 'Garota Entorta Foca 2010'. Fugindo da tradição do bloco, este ano são cotados dez integrantes, de todos os períodos, para receber a honraria. O nome, porém, será revelado somente minutos antes do desfile, na sexta-feira, 26.

“A escolha não será por votação direta. Os coordenadores classificaram esses dez concorrentes, mas a 'Garota Entorta Foca' já está escolhida”, conta André Luis Salustiano, um dos organizadores do bloco. Segundo ele, os candidatos, entre homens e mulheres, foram classificados pela presença constante nas festas do curso e pela animação. “A beleza é apenas mais um requisito, mas não é o ponto principal”, revela Salustiano.

Laís Ribeiro, Aline Pavezi e Elaine Javorski, professora do curso, já foram coroadas com o título nos anos anteriores, respectivamente. Chegando à 4ª edição, o bloco 'Entorta Foca' se despede da coordenação original, que conta com Salustiano, Josué Teixeira e Michael Ferreira, criadores do grupo, que passam a responsabilidade para outros membros em 2011. A transmissão de cargos será feita na concentração, antes do desfile.

Michael Ferreira conta que a organização do bloco está a todo vapor. “Estamos nos últimos preparativos para que tudo dê certo. Nosso último ano na coordenação não pode sair nada errado”, explica Michael, em tom descontraído. A vice-presidente da Associação Atlética de Jornalismo (AAJ), Milena Rezende, conta que a AAJ é uma das patrocinadoras do bloco. “Este é o primeiro ano que fazemos essa parceria. A Atlética espera que a sociedade prospere”, conta Milena.

Derek Kubaski, do 4º ano de Jornalismo, diz que participa desde o começo do 'Entorta Foca'. “O primeiro ano foi o melhor, foi o ano que reunimos toda a turma para o desfile pelo bloco”, lembra Kubaski. Para Afonso Verner, que participa pela primeira vez, o clima é de ansiedade. “Espero que seja mais uma festa do curso para ficar na história. A integração entre os alunos parece ser o ponto alto”, diz Verner. O desfile de abertura da München será na sexta-feira, 26, a partir das 19h30, na Avenida Vicente Machado. Logo após, os participantes se dirigem para o Centro de Eventos Cidade de Ponta Grossa, onde acontece a festa, que segue até o dia 4 de dezembro.

Texto: Eduardo Godoy

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Natal de Luz aumenta ritmo de ensaios para apresentações, que começam dia 11

Faltando menos de 20 dias para a abertura do Natal de Luz 2010, os ensaios se intensificaram nessa semana. Cerca de 110 crianças e adolescentes participam da apresentação deste ano, que começa no próximo dia 11, sábado, e prossegue nos dias 15 (quarta-feira), 17 (sexta-feira), 19 (domingo) e 23 (quinta-feira), sempre às 22h. Na reta final de preparativos, os cantores ensaiam de duas a três vezes por semana.

Segundo Marly Prado Papi Crespo, uma das organizadoras do evento, esses últimos dias são decisivos. “São nos últimos ensaios que fazemos ajustes em coreografias e vemos se o que planejamos no cronograma inicial dará realmente certo. Em alguns casos, só nos ensaios com os cantores que percebemos que algo deve ser mudado”, conta Marly.

Este cronograma costuma ter quatro ou cinco páginas, onde todos os passos do espetáculo estão descritos, como explica Neuzeli França Ribeiro César, também da organização. “Colocamos no roteiro tudo o que vai acontecer durante os 55 minutos de espetáculo, como adereços, figurinos, solistas e apresentações externas. Eles são disponibilizados em todos os pares de janelas, entradas de sacada, coordenadores e responsáveis técnicos”, descreve Neuzeli.

Para 2010, a organização promete mais uma vez um show de luzes e músicas. Espetáculos pirotécnicos devem encantar ao final das apresentações, assim como todo o aparato tecnológico empregado. As músicas devem seguir o tema deste ano – “Tradição, cultura e fé” – fazendo uma viagem pelas tradições culturais e religiosas do país. A novidade deste ano será um palco montado ao lado do prédio, aumentando assim a visibilidade das crianças que se apresentam também do lado de fora.

Em sua 9ª edição, o Natal de Luz é mais uma vez organizado pela Paróquia Santo Antônio de Pádua, Grupo de Canto Sementinha, Spaço Arte & Música e empresas parceiras. O público esperado para as cinco noites de apresentação é de 8 mil espectadores.

Texto: Eduardo Godoy

domingo, 14 de novembro de 2010

O Quadro das Maravilhas

Peça: O Quadro das Maravilhas
Autor: Jacques Prévert
Direção: Ângela Finardi
Grupo: Companhia de Teatro de Repertório da Univille
Cidade: Joinville - SC
Local: Calçadão
Data e horário: 09/11 – 10h
Duração: 55 minutos
Classificação: livre

A peça O Quadro das Maravilhas, apresentada pela Companhia de Teatro de Repertório da Univille, de Joinville (SC), acertou na interpretação, porém errou no formato. O que aconteceu não foi teatro de rua, e sim teatro na rua (o que é bem diferente). O espetáculo não foi feito para apresentação em pleno Calçadão, onde dezenas de pessoas passam a todo momento. Uma intervenção em um local totalmente público, com o palco e um camarim tomando conta do passeio mais movimentado da cidade. É preciso tomar cuidado ao intervir tão bruscamente assim em uma zona pública, local.

O “O Quadro...” teria acertado se fosse feito em um palco italiano, ou então em uma semi-arena, com o público centrando o olhar em um quadro mesmo (como acontece com as peças “tradicionais”). Os atores, bancados pela Univille, entretanto, demonstraram que sabiam o que iriam fazer. Tudo bem marcado, com as falas na ponta da língua e a interpretação bem ensaiada. Para o teatro de rua, repito, isso não é uma vantagem, já que é preciso lidar, muitas vezes, com a presença do público muito próximo e, eventualmente, com surpresas (como ocorreu na apresentação do dia anterior – Saltimbembe Mambembancos – que tiveram que lidar com um espectador um pouco alterado e o incorporaram à peça).
Destaque para a atriz Alessandra Passos (na foto, sentada), que deu vida, magistralmente, a um mendigo do século XVI, imaginado por Cervantes. Estrelinha dourada também para a diretora da trupe, Ângela Finardi, que consegue gerenciar os 14 atores como se fosse uma mãe (transpareceu isso no debate, após a peça). E aplausos para a Univille, que investe no teatro e mantém a Companhia, custeando todos os gastos que eles têm.

No geral, repito, a peça deveria ser apresentada em um palco italiano, com aparato de luz e um público que esteja lá com o intuito principal de ver o espetáculo. Seria melhor para os atores, amadores ainda, e para o público.

Nota: 8,0
Crítico: Eduardo Godoy
Foto: Eduardo Godoy/Lente Quente

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Pequenas coisas


Peça: Pequenas coisas
Autor: João Araújo e Verônica Gerchman
Direção: João Araújo
Grupo: Morpheus Teatro
Cidade: São Paulo – SP
Local: Cine-Teatro Ópera – auditório B
Data e horário: 08/11 – 22h
Duração: 55 minutos
Classificação: adultos e jovens

A arte de manipular bonecos é não manipulá-los, e sim deixar ser visto pelos olhos do objeto que se torna um ser. E foi assim que o Grupo Morpheus de Teatro, de São Paulo – SP, conseguiu sensibilizar a plateia, quase cheia, do auditório B do Cine-Teatro Ópera na noite de segunda-feira, 08. Cinco cenas, com cinco tipos de bonecos e dois criadores (contando ainda com a participação de mais um ator em uma das cenas). Misturado o riso ingênuo e a sensibilidade fina, foi a melhor peça de teatro de bonecos que já vi (e que, segundo a atriz Verônica Gerchman, concorre no quesito ‘sensibilidade’ com o espetáculo que a mesma trupe apresentará hoje, às 22h, no auditório B do Ópera – O princípio do espanto).

Os manipuladores conversavam indiretamente com seus bonecos e, aos olhos do público, via-se todos os sentimentos dos bonecos sendo transpassados para os manipuladores, em um jogo de troca emocional entre criador e criatura, surgindo um ser vivo no boneco. O ‘terceiro elemento’, como alguém disse no debate, após a peça.

E esse terceiro elemento é que estava em cena, no palco, sensibilizando a plateia. Lágrimas de choro com lágrimas de riso, se misturando no rosto do público. O maestro em seu último espetáculo, regendo a plateia. Um jovem e um velho, onde o primeiro precisa do abraço do outro, que é todo envergonhado. Um casal de velhos que vivem uma cena com uma comédia ingênua, com o senhor lembrando um tipo também ingênuo. Uma mãe preocupada que espera a filha, despreocupada, e sabe que ela irá atrasar, enquanto fica ensaiando como dizer que está muito doente. E, por fim, o fim. O fim da vida de um senhor, o pai da atriz, em um leito de hospital. A imaginação de sua alma se despedindo de seu corpo, enquanto a filha chora. E o choro não é ficção. É real. Assim como todo o espetáculo.

Nota: 9,5
Crítico: Eduardo Godoy
Foto: Eduardo Godoy/Lente Quente

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Saltimbembe Mambembancos

Peça: Saltimbembe Mambembancos
Autor: Grupo Rosa dos Ventos
Direção: Grupo Rosa dos Ventos
Grupo: Rosa dos Ventos
Cidade: Presidente Prudente – SP
Local: Calçadão
Data e horário: 08/11 – 10h
Duração: 60 minutos
Classificação: livre



O Grupo Rosa dos Ventos voltou às ruas nesta segunda-feira de muito sol para apresentar a peça Saltimbembe Mambembancos, concebida e dirigida pelos cinco integrantes da trupe. Mais uma vez, conseguiu atingir seu objetivo de fazer as pessoas que passavam pelo local rirem. E como riram!

Neste espetáculo, porém, o texto foi bem escasso, demonstrando que o circo era a peça fundamental para a diversão esperada. Diferente da tarde de ontem, 07/11, onde eles apresentaram A Farsa do Advogado Pathelin, no Parque Ambiental, o uso do escatológico para alcançar o riso foi bem menos empregado, deixando o público mais à vontade. O que era crítica negativa antes, parece que foi corrigida nesta concepção. Se foi por acaso, não sei. O que importa é que a ingenuidade do circo-teatro, do palhaço de rua, da alegria e improviso do artista foi colocada em um patamar acima, elevando a qualidade da peça.
E por falar em improviso, este espetáculo teve algo bem inusitado para uma peça de teatro, mas comum para o teatro de rua. Em certo momento, um senhor, aparentemente alcoolizado, começou a participar da peça, no picadeiro, sem convite. E os atores conseguiram, magistralmente, contornar toda a situação. Usaram o senhor (depois foi descoberto que ele fez teatro por 20 anos e, por causa do alcoolismo, foi deixando a vida dos palcos de lado) como elemento integrante do espetáculo. Estrelinha dourada para o grupo!

No mais, não sei o que falar de negativo da peça. Talvez os malabares e as acrobacias cansaram um pouco, às vezes. De novo, o som ao vivo me chamou a atenção. Além das músicas, que traziam uma referência às propagandas de produtos populares milagrosos, os efeitos sonoros em concordância com as ações foram componentes para o sucesso do espetáculo. Outro ponto positivo foi a interação com o público. Todos conseguiam ficar à vontade com as brincadeiras dos atores, de improviso. O Grupo Rosa dos Ventos, ao trazer elementos da cultura popular para a rua, consegue mostrar uma identificação com quem passava pelo Calçadão, que podia não ter assistido a peça desde o início, mas acompanhava normalmente qualquer momento, sem perder uma ligação textual contínua (presente nos teatros convencionais).


Nota: 9,0
Crítico: Eduardo Godoy
Foto: Thiago Terada/Lente Quente

Amargasalmas

Peça: Amargasalmas
Autor: Ribamar Ribeiro
Direção: Ribamar Ribeiro
Grupo: Os Ciclomáticos Companhia de Teatro
Cidade: Rio de Janeiro – RJ
Local: Cine-Teatro Ópera – auditório A
Data e horário: 07/11 – 20h30
Duração: 60 minutos
Classificação: 16 anos


A organização do Fenata pecou na noite do domingo ao não liberar a entrada do público antes das 20h20, formando um aglomerado de pessoas no hall do Ópera, com desconforto. A peça Amargasalmas só fui entender no debate. Mas, a partir do momento em que entendi, transformou-se em uma das melhores peças. Talvez não seja feita para um público com pouca formação teatral, ou déficit de atenção, sei lá. Digo isso do texto, porque a área técnica foi a melhor que já vi. A iluminação casando perfeitamente com a música cinematográfica (não que a utilização deste estilo musical seja positivo; no caso, causou até um descoforto por a música estar em diversos filmes - ficou 'pobre') deu um ar magistral ao espetáculo.

O texto, porém, ficou confuso às vezes. A poesia se destacou, em outras. O ritmo frenético do roteiro aumentou a importância da luz (e aqui coloco a sombra como parte integrante da luz) e do som. Frases marcantes no compasso apressado e a confusão das falas das personagens, falando juntas, foram pontos que me marcaram. Algumas cenas me atingiram como um tiro. Fantástica a sensação que senti durante a peça!

A cena da mãe parindo seu filho e o chamando de desgraçado, com o palco todo avermelhado e uma música forte foi uma das melhores que já vi. Duas personagens andando em volta atrapalhou um pouco, porém.

Um aspecto que me chamou a atenção a partir do cenário simples foi a situação do palco do Ópera. Parece ser preciso limpar o chão do placo ou pintá-lo novamente. Sobre o cenário, uma semiótica infundada, a meu ver, foi levantada no debate. A utilização de lãs coloridas penduradas não tem outra função senão “dar uma cor” para o cenário. Nada mais.

Voltando à peça, a interpretação deixou um pouco a desejar. Pelo ritmo constante, certas falas não foram compreendidas. Outras vezes, foi falado para o fundo do palco, o que fazia com que o público não escutasse (principalmente quem estava no fundo). Foi chocante ver a peça, principalmente por utilizar uma iluminação forte.

Nota: 8,0
Crítico: Eduardo Godoy
Foto: Marco Antonio Favero/Lente Quente

A Farsa do Advogado Pathelin

Peça: A Farsa do Advogado Pathelin
Autor: Anônimo
Direção: Roberto Rosa
Grupo: Rosa dos Ventos
Cidade: Presidente Prudente – SP
Local: Parque Ambiental
Data e horário: 07/11 – 17h
Duração: 65 minutos
Classificação: livre


Uma junção entre teatro, música e circo que resultou em uma excelente peça. Tirando o riso a partir do escatológico, o que não gosto em nenhuma peça, o espetáculo cumpriu com sua função: divertir em uma tarde de domingo, no parque. Foi bonito ver as famílias no Parque Ambiental (sem árvores, como frisou um dos personagens durante a peça, arrancando os risos mais importantes de todo o espetáculo!) conversando, rindo, comendo, se divertindo. O local não poderia ser mais apropriado, ainda mais aproveitando as lonas do Parque. Enquanto aconteciam dezenas de coisas em volta, embaixo de uma lona uma trupe se apresentava. Talvez seja a peça mais importante e funcional de todo o 38º Fenata.

Seguindo pela parte técnica, algumas falhas nos microfones chegaram a incomodar o público. O que foi compensado pelas adaptações engraçadas no texto, o ritmo circense durante a apresentação e a sonoplastia/música feita ao vivo por apenas uma pessoa. A inconstância no ritmo do texto às vezes parecia que iria acabar com o espetáculo; no entanto, sempre tinha algum fator que levantava a peça e fazia que o público não desejasse sair dali.

Reitero a desnecessária utilização de aspectos escatológicos para provocar o riso. Porém, parabenizo os atores, que prenderam o público embaixo da lona com suas espertezas circenses e teatrais. E também o músico, que soube utilizar os efeitos sonoros magistralmente. E a organização do Festival, que colocou a peça no melhor lugar e no melhor horário possível.


Nota: 8,5
Crítico: Eduardo Godoy
Foto: Marco Antonio Favero/Lente Quente - http://www.flickr.com/photos/lentequente/5156472660/

sábado, 6 de novembro de 2010

Medida por medida

Peça: Medida por medida
Autor: Willian Shakespeare
Tradução e adaptação: Fábio B. Torres
Direção: Val Pires
Grupo: Folias
Cidade: São Paulo – SP
Local: Cine-Teatro Ópera – auditório A
Data e horário: 05/11 – 20h30
Duração: 100 minutos
Classificação: 16 anos


O texto de Shakespeare encenado pelo Grupo Folias na noite desta sexta-feira teve pontos extremamente bons e outros que atrapalharam bastante o público. Comecemos pela parte ruim. A interpretação exageradamente técnica de alguns atores deixou transparecer a tensão sentida por eles ao se apresentarem para cerca de 700 pessoas. Como revelado no debate após a peça, é a primeira vez que a trupe se apresenta para tanta gente, em um palco italiano. Percebia-se, de perto, que a marcação era cumprida ‘à risca’, com passos e trejeitos ensaiados, mostrando que alguns atores não estavam muito à vontade na interpretação. Um ator não conseguiu impor a voz a certo ponto que nem este crítico, que estava na segunda fileira da plateia (local péssimo, diga-se de passagem), conseguiu ouvir.

Vamos passar para a parte positiva, pois. A interpretação da personagem Mariana (não tenho certeza do nome), a grávida que era também, mais pra frente, uma empregada doméstica, foi de se aplaudir em pé. É um forte concorrente para o título de melhor atriz coadjuvante. A transformação da personagem principal também foi bem interpretada pela sua atriz. O uso de dois andares no cenário também chamou a atenção. Foi interessante ver uma família, que poderia ser interpretada como que se estivesse embaixo de uma ponte, apreciando pela TV o dramalhão que acontecia no andar de cima. Um retrato bem feito sobre a diferenciação das classes sociais.

Mas o que mais marcou foi o figurino. Mais precisamente os calçados: All Star’s. Foi uma jogada espetacular a junção de roupas “clássicas” com os tênis contemporâneos (foi mais forte no século passado, sim; porém, vejo sua utilização hoje ainda marcada por um certo ar de revolução, diferenciação). Ponto para o figurinista!

Nota: 8,0
Crítico: Eduardo Godoy
Foto: Luana Stadler/Lente Quente - http://www.flickr.com/photos/lentequente/5151267540/

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O Beco

Peça: O Beco
Autor: Jorge Henrique Lopes
Direção: Sandro Maranho
Grupo: Cia Fantolkid’s Teatro de Bonecos
Cidade: Maringá – PR
Local: Cine-Teatro Ópera – auditório B
Data e horário: 04/11 - 22h30
Duração: 50 minutos
Classificação: adultos e jovens a partir de 12 anos

Saindo do auditório A e descendo para o auditório B, quem foi conferir a primeira apresentação da categoria Bonecos/Animação – Adulto viu uma peça que deveria ter sido colocada na categoria Bonecos/Animação – Crianças. Com falas explicativas por demais, os dois bonecos personagens (muito bem construídos, diga-se de passagem) brincavam com assuntos direcionados ao público infantil. A emoção e a diversão prometidas na sinopse do Guia de Programação deixaram a desejar. Até o modo e o tom de voz empregados não estavam de acordo com o público da categoria.

Porém, alguns pontos devem ser destacados. O cenário feito com lixo, a utilização apropriada da iluminação (mesmo parecendo ter sido feita de improviso, às vezes) e a construção dos bonecos chamaram a atenção.

Por ser uma família (Maranho) que faz tudo no espetáculo (mãe e filha e pai e filho trabalham em conjunto para os movimentos dos bonecos, enquanto outros cuidam da parte técnica) faz com que haja uma boa conexão. Entretanto, como já disse, a peça deixou a desejar.

Nota: 7,0
Crítico: Eduardo Godoy

O Avarento

Peça: O Avarento
Autor: O Grupo, a partir da obra de Molière
Direção: Gilberto Fonseca
Grupo: Farsa
Cidade: Porto Alegre – RS
Local: Cine-Teatro Ópera – auditório A
Data e horário: 04/11 - 20h30
Duração: 95 minutos
Classificação: livre



O Avarento, peça de estreia do 38º Festival Nacional do Teatro (Fenata), de Ponta Grossa, foi marcada pelo riso constante. Eram raros os momentos em que o público não ria com os gracejos dos personagens. Estrelinhas douradas para as atuações do pai avarento e do mordomo/copeiro/cozinheiro. As músicas cantadas pelos próprios atores, que lembravam um musical, serviram mais para o riso do que para completar algo. Não que isso seja um ponto negativo.

Quem estava no final do Cine-Teatro Ópera conseguiu escutar claramente o que os atores falavam, demonstrando um conforto da trupe com locais de apresentação grandes. Outro ponto positivo para o figurino, operacional e bem descritivo. Mais uma vez, o figurino do pai avarento e do mordomo/ copeiro/ cozinheiro chamou a atenção.


Entretanto, dois aspectos não foram bem utilizados. Parecem que esqueceram que a iluminação é questão fundamental para uma peça de teatro. A luz branca predominante, sem mudanças, deu um ar de teatro (no sentido de local) pequeno, sem aparatos técnicos. O que não é característica do Ópera. Outro ponto é o cenário. O tapete ao centro foi uma boa escolha. Porém, dois totens pretos (sei lá o que eram, na verdade) não tiveram utilidade alguma. E uma espécie de biombo colorido ao centro, para os atores se trocarem durante o espetáculo, não foi bem aproveitado.
Volto a frisar, no entanto, a atuação do pai avarento. Um dos candidatos ao prêmio de melhor ator.


Nota: 8,5
Crítico: Eduardo Godoy
Foto: Afonso Verner/Lente Quente - http://www.flickr.com/photos/lentequente/5148695268/

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Fenata expõe dificuldades do campo teatral em Ponta Grossa



Durante oito dias, o 38º Festival Nacional de Teatro (Fenata) deve movimentar a cena cultural ponta-grossense. Entretanto, essa agitação não se repete durante o resto do ano. Segundo a chefe do Departamento de Comunicação Social da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Karina Janz Woitowicz, há um contra-senso na produção teatral da cidade. “Ponta Grossa se consolidou no teatro, mas isso não reflete na realização de peças ao longo do ano”, conta Karina.


De acordo com Woitowicz, são poucas as companhias de teatro em Ponta Grossa, “e estas ainda não conseguem se apresentar no Fenata, gerando uma reclamação por parte dos atores e produtores da cidade”. Para Karina, a junção entre peças profissionais e amadoras, entretanto, é um ponto positivo do festival, que surgiu em 1973. “O Fenata veio com a cultura dos festivais, assim como em Maringá, que se consolidou como a 'cidade da música'”, diz a chefe do Departamento.


Jean Marcel Ferreira, que mora em Ponta Grossa desde o começo de 2010, conta que em Foz do Iguaçu, sua cidade-natal, não há festivais do gênero. “A gente não vê festivais como o Fenata na Unioeste, por exemplo. Aqui, percebemos que a UEPG tem essa preocupação cultural”, revela Jean. Segundo ele, é um incentivo para formar espectadores na cidade, “já que a despolarização, com peças saindo do eixo Rio-São Paulo e chegando a outros locais, aumenta o interesse das pessoas”.


Na 38ª edição do Fenata, serão 25 peças de 22 grupos teatrais, provenientes de seis estados brasileiros. Entre os dias 4 a 11 de novembro, o festival deve reunir mais de 20 mil pessoas no dois auditórios do Cine Teatro Ópera, Teatro Marista, Calçadão da Coronel Cláudio e Parque Ambiental. João Vinícius Bubek, assistente administrativo da Fundação de Apoio à UEPG (FAUEPG), acredita que este ano será ainda mais movimentado que 2009. “Nesta edição teremos peças em Palmeira e Carambeí também, o que aumenta a visibilidade e o público do festival”, conta Bubek.


“É um evento democrático, já que muitas peças são gratuitas e as outras têm um preço acessível”, afirma Kevin Kossar, estudante de Jornalismo da UEPG. Para seu colega de curso, Gildo Antônio Vicente, deveria haver mais espetáculos que não sejam de humor. “Em 2009 teve várias peças do gênero cômico. Seria interessante para o público que a organização primasse também por outros estilos, outra linha”, sugere Vicente. O Fenata começa nesta quinta-feira, 4, com a peça O Avarento, do Grupo Farsa, de Porto Alegre. A abertura será no Cine Teatro Ópera, a partir das 20h. Outras informações no www.uepgcultura.com.br/fenata


Texto: Eduardo Godoy

sábado, 30 de outubro de 2010

Exclusivo: Gleisi Hoffmann acompanha apuração com Dilma, em Brasília


A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, reunirá os líderes de seu partido amanhã, 31, em sua residência, em Brasília. Gleisi Hoffmann (PT), senadora eleita pelo Paraná, confirmou a presença na noite de quinta, 28, quando estava em Ponta Grossa. Dilma ligou para Gleisi na tarde de quinta, convidando a senadora para assistir à apuração dos votos em sua casa, a partir das 17h. Hoffmann informou que votará em Curitiba pela manhã, depois almoça em sua casa com a família, descansa e pega o avião para Brasília, para ficar ao lado de Lula e Dilma.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os primeiros números devem sair a partir das 19h, devido ao fuso horário diferente em alguns estados brasileiros em conjunto com o horário de verão no Sul e Sudeste.

Pesquisa divulgada hoje, 30, pelo Instituto Datafolha, prevê vitória de Dilma Rousseff (PT) com 55% dos votos válidos. José Serra (PSDB) aparece com 45%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Foram entrevistas 6.554 pessoas neste sábado, sendo um número maior do que outras sondagens. A pesquisa tem registro no TSE sob o número 37.903/2010, e foi encomendada pela Folha e Rede Globo.

Se as pesquisas confirmarem, Dilma deve ser eleita a 40º presidente do Brasil, sendo a primeira do sexo feminino. Nas últimas sondagens, a petista sempre aparece em primeiro lugar, variando pouco e dentro da margem de erro.

Texto: Eduardo Godoy
Foto: Eduardo Godoy
Legenda: Em visita à Ponta Grossa, Gleisi fez campanha para Dilma Rousseff

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

“Descriminalização do aborto não irá resolver tudo”, afirma Gleisi em visita à UEPG

Gleisi Hoffmann concedeu entrevista coletiva a alunos de Comunicação Social da UEPG; entre os temas, representatividade feminina, aborto, reforma agrária e PEC dos Jornalistas

A senadora recém-eleita pelo Paraná, Gleisi Hoffmann (PT), afirmou que o aborto ultrapassa o tema saúde pública e descriminalização não irá resolver o problema. “Isso tem a ver com a emancipação da mulher na sociedade, com o respeito da mulher e com a cultura social que temos de hierarquização de gênero”, disse a senadora, em entrevista coletiva na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), para alunos do curso de Comunicação Social.

Hoffmann defendeu a criação de Redes de Apoio de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. “É um absurdo o que temos de mulheres vítimas de violência, seja violência dentro de casa ou violência externa”, denunciou Gleisi. Ela citou a Região Metropolitana de Curitiba, onde o índice de assassinatos de mulheres é elevado. De acordo com ela, as mulheres tentam continuar o trabalho dos maridos presos por conta do tráfico de drogas, mas, como não têm preparo, acabam perdendo a vida.

Sobre a participação feminina na política, a senadora afirmou que as mulheres estão ocupando maior destaque, porém “ainda é pequeno perto do que representamos na sociedade”. Segundo ela, antes da Constituição de 1934 não havia representação nenhuma das mulheres, “então de votar a sermos votadas é um grande passo”, contou. Gleisi afirmou ainda que as mulheres estão percebendo que as decisões políticas afetam diretamente a educação, segurança e saúde delas e dos filhos.

Outros temas também foram abordados, como a tramitação no Senado da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Jornalistas, que prevê a volta da exigência do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. A senadora disse ser favorável à PEC e lutará pela sua regulamentação, “tanto que quando o Supremo [Tribunal Federal] teve aquela decisão desastrosa, eu era presidente do PT e divulgamos uma nota de apoio aos profissionais”.

Gleisi chegou aos Campos Gerais por volta das 14h, vinda de Londrina. Concedeu uma entrevista coletiva para a imprensa regional e depois visitou a UEPG. Após, Hoffmann fez uma caminhada pelo Calçadão da Coronel Cláudio, ao lado de lideranças políticas da cidade e militantes, para campanha em favor da candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República. Para fechar a passagem por Ponta Grossa, a senadora participou ao vivo de um telejornal local.

Texto: Eduardo Godoy
Foto: Eduardo Godoy

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

É Serra na cabeça


Quem está com a dor de cabeça maior: o chefe Paulo Pucci, acamado desde domingo pela derrota do Santos para o Grêmio Prudente, ou José Serra, atingido na careca por pequena bolinha de papel? É Serra na cabeça! Todo mundo ficou espantado: durante caminhada no Rio de Janeiro, jogaram pequena bolota de papel no candidato que precisou fazer tomografia computadorizada. A Rede Globo fez enorme estardalhaço com o caso. Vocês pensam que é exagero, mas quando eu tinha 10 anos tio Zeca jogou uma bola de papel na minha cabeça e eu não fiz tomografia - acho que foi por isto que fiquei sem juízo até hoje e voto na Dilma...

Graças a Deus não houve lesão séria e transmito aos leitores a boa notícia: Serra já respira sem ajuda de aparelhos, mas ficou meio tonto: dizem que ele chegou ao hospital delirando e gritando que lidera as pesquisas e vai ganhar as eleições! O médico não deu nenhum ponto na careca do candidato – que desejava ganhar 12 pontos para se aproximar nas pesquisas da líder Dilma Rousseff.

Dizem que Serra aproveitou a estada no hospital e distribuiu santinhos até para os internados na UTI... Conversei com um médico que viu o vídeo e concluiu: “depois desta, o Serra precisa ficar de repouso. Minha recomendação é que ele fique quatro anos em repouso...”.

Acho mais fácil votar na Venezuela, lá só tem duas opções: tecla verde: quero que Chávez continue; tecla vermelha: quero que Chávez não saia... Mas quem não gostou da urna eletrônica foi tio Asclepíades, ele reclama que as pessoas mais velhas não sabem usá-las. “Tinha uma velha surda na minha frente que trouxe anotado a senha e o número da sua conta no banco, ela queria tirar extrato na urna eletrônica e sacar sua pensão! Levaram duas horas para tirar a surdinha de lá...”

Cunhado Eucrésio, encostado no INSS há seis anos por uma unha encravada, reclamou: “todos os candidatos prometem trabalho, trabalho, trabalho. Se aparecer um que prometa férias, férias, férias, eu voto”! Já tia Maria está indecisa. “todos prometem ajudar os pobres a ganhar sexta básica. Mas eu não quero só sexta, quero quinta básica, segunda básica, terça, quarta...” Tentei convencer tia Maria que não é sexta básica, mas sim cesta básica mas ela não se convenceu e saiu bufando.

Como não teve comício em Castro nestas eleições, sábado fui a São Paulo assistir a um do José Serra. Enquanto ele falava, enorme multidão de umas 40 pessoas gritava “Serra, Serra, Serra...” Cheguei perto do palanque e notei vários petistas também gritando “Serra, Serra...”. Isso não podia ser verdade, o candidato do PT é a Dilma, por que eles gritavam “Serra”? De repente, o palanque caiu, despencou com todo mundo em cima. Foi aí que eu notei uns homens junto ao palanque com uns serrotes nas mãos e entendi os gritos de “serra, serra...”.

Na propaganda política os ataques continuam: a turma do governo diz que Serra vai privatizar
a Petrobrás, Banco do Brasil, o Corinthians e o Flamengo. Já a oposição diz que Dilma vai estatizar tudo, a Vale do Rio Doce, o restaurante Casantiga, a turma dos Secas-Pimenteira, o tio Zeca e até a Casa de Pedra. Oba, vai ter bolsa-casa de pedra, vou fazer já minha inscrição!

*Depois do grave ataque no Rio de Janeiro, cuidado: quem andar nas ruas com papel na mão pode ser preso por porte ilegal de arma. Coitados dos office-boys!




Texto: Paulo Magalhães
Foto 1: Antônio Cruz/ABr
Foto 2: http://ptpernambuco.blogspot.com/2010/08/campanha-do-tucano-jose-serra-sera-oito.html

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Dilma lança documento com 13 diretrizes de governo

Do G1, em São Paulo
Disponível em: http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/10/dilma-lanca-documento-com-13-diretrizes-de-governo.html

A candidata do PT à Presiência da República, Dilma Rousseff, apresentou nesta segunda-feira (25) um documento com 13 “compromissos programáticos”, que chamou de diretrizes de governo. Dilma disse que o documento é fruto de "consenso" entre as legendas que apoiam sua candidatura.

Os 13 pontos apresentados pela candidata petista são: fortalecer a democracia política e econômica; expansão do emprego e renda; projeto que assegure sustentável transformação produtiva; defender o meio ambiente; erradicar a pobreza absoluta; atenção especial aos trabalhadores; garantir educação para a igualdade social; transformar o Brasil em potência tecnologia; garantir a qualidade do Sistema Único de Saúde (SUS); prover habitação e vida digna aos brasileiros; valorizar a cultura nacional; combater o crime organizado; defender a soberania nacional - confira abaixo mais detalhes sobre cada ponto.

Antes da divulgação do documento, que aconteceu num hotel em São Paulo, ela teve uma reunião fechada por cerca de meia hora com representantes dos partidos aliados.

"Estamos entregando nossos 13 compromissos programáticos que refletem a força da nossa coligação, desses 11 partidos, em deixar claras quais são as nossas diretrizes", disse, na saída do evento. Dez siglas assinam o documento apresentado nesta segunda: PT, PMDB, PC do B, PR, PDT, PRB, PSC, PSB, PTC e PTN. O 11º partido citado pela candidata, segundo sua assessoria de imprensa, é o PP, que passou a apoiar recentemente a candidatura petista.

Dilma comentou o fato de os pontos serem genéricos e não apresentarem metas. "São esses 13 compromissos que fundam a nossa governabilidade. Obviamente, são gerais, podem fazer alguma referência a metas, mas têm o sentido de dar diretrizes."

Ela justificou ainda o fato de as diretrizes só terem sido apresentadas a seis dias do segundo turno das eleições: "Não é simples fazer 13 propostas com 11 partidos. Isso, se não tiver muito processo de debate, não sai."

Segundo a petista, todas as propostas apresentadas já haviam sido divulgadas anteriormente em seus programas eleitorais no rádio e na TV. “Nós expusemos isso em todos os programas de televisão. Estamos formalizando para o futuro porque, se Deus quiser e eu for eleita, será a base para a governabilidade”, afirmou.


Texto: Mariana Oliveira

Olhos sonhadores


Milhares de pessoas passam por nossas vidas. Porém, algumas têm o poder de nos marcar, como uma cicatriz interior. Um momento eternizado não em nosso corpo, mas sim em nossa alma.

Francesco tinha a certeza de que conhecera aquela mulher. A imagem da juíza da Vara da Criança e do Adolescente, responsável pelo caminho de dezenas de pequenas criaturas sem uma vida familiar consistente, não lhe era estranha. Drª. Lorenza respondia às perguntas do jornalista com um ar sério. O entrevistador, entretanto, fitava aqueles olhos profundos tentando se lembrar de onde os conheciam.

Vinte e dois anos antes, em uma agitada madrugada de sábado. Era isso! Os olhos sonhadores, lembrou-se. A noite não devia ter sido boa, imaginava ele observando o suporte de algodão doce, ainda cheio, que a menina de 16 anos trazia junto ao braço. No drive-thru de uma rede de lanchonetes, em meio aos pedidos dos amigos, a adolescente chegou e ofereceu seu produto, simples, genuíno, bem diferente dos pequenos sanduíches vendidos a preços exorbitantes pela rede. “O azul tem mais sabor. Eu já experimentei todos, mas agora já enjoei”, revelou a pequena vendedora.

O ainda estudante de jornalismo aceitou um algodão doce. Ou melhor, comprou um algodão doce. E puxou conversa, enquanto seus amigos decidiam se pegavam batatinhas fritas e Coca-cola, junto com o lanche. Ele descobriu que a menina estudava de manhã (tinha repetido de ano três vezes, por isso ainda estava na 7ª série), cuidava dos sobrinhos à tarde e vendia algodão doce à noite. Tripla jornada, que começava quando ela acordava olhando para o suporte do produto enroscado em cima da sua cama. O estudante ficou imaginando como era acordar desta maneira. E como ela enroscava um troço daquele em cima da cama?

Bom, mas ele lembrou-se dela pelo sonho revelado naquela noite: estudar Direito e ser juíza da Vara da Criança e do Adolescente. “Já passei por lá várias vezes”, tentou justificar a garota. Agora estavam ali, frente a frente. A menina sonhadora e o estudante de jornalismo. A juíza e o jornalista. Duas vidas cruzadas há anos atrás, por poucos minutos, sem encontravam novamente. Quanta mudança, física e temporal, marcava os dois. Mas aqueles olhos não enganavam: era a vendedora de algodão doce. Ou melhor, de esperança.

Fim de entrevista. Depois de tantos pensamentos, a sorte do repórter era ter utilizado o gravador para registrar a fala da doutora. Não conseguira se concentrar um instante no que ela dizia. Decidiu que não revelaria nada, naquele momento, sobre a lembrança. Agradeceu a entrevista e voltou para a redação.

No outro dia, um algodão doce azul deixado na sala da juíza fez a confirmação. “Ele também lembrou”, pensou a vendedora de esperança.

Texto: Eduardo Godoy

domingo, 24 de outubro de 2010

Agenda política da semana (decisiva!)

do blog do Fernando Rodrigues, na UOL
Disponível em: http://uolpolitica.blog.uol.com.br/arch2010-10-24_2010-10-30.html

Segunda (25.out.2010)
Pesquisa Vox Populi –
instituto pode divulgar seus números novos. A lei eleitoral pede intervalo de 5 dias a partir do registro no TSE até a divulgação. O registro foi feito em 20.out.2010.

Dilma x Serra na “Record” – 3° debate do 2° turno. Começa às 23h.

Dilma em São Paulo – de 12h a 14h, reúne-se, no Hotel Mercury, com presidentes dos partidos de sua coligação e lança documento com compromissos de governo (a 6 dias da eleição...).

Lula no Rio – pela manhã, entrega unidades do Minha Casa, Minha Vida para moradores do Complexo do Alemão desalojados pelas chuvas de abril. Às 15h, lança embarcação ao mar no estaleiro da Ilha do Governador.

Alckmin no Rio Grande do Sul – tucano, governador de São Paulo, faz campanha para Serra em Porto Alegre e em Santa Maria.

Jaques Wagner no Roda Viva – governador reeleito da Bahia, filiado ao PT, grava entrevista à tarde, em São Paulo. Transmissão a partir das 22h, pela “TV Cultura”.

Anastasia e o Cansei – em São Paulo, governador reeleito de Minas, pelo PSDB, almoça com empresários do Lide – associação presidida por João Dória, fundador do movimento anti-Lula “Cansei”, em 2007.

Inflação – FGV divulga IPC-S. Ao longo da semana, publica outros indicadores. Aqui, calendário completo de divulgação.


Terça (26.out.2010)
Pesquisa Datafolha –
instituto termina as entrevistas e já pode divulgar os resultados. O registro foi feito em 21.out.2010.

Faltam 5 dias para a eleição – nenhum eleitor pode ser preso, exceto em flagrante, até 48h depois da votação de domingo (31.out.2010). Candidatos contam com esse benefício desde 18.out.2010 (artigo 236 do Código eleitoral).

Lula em Curitiba – faz campanha na capital do Paraná, à noite. Antes, em Brasília, vai à reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e encontra representantes do movimento de atingidos por barragens.

Tony Blair em São Paulo – toma café da manhã com o presidente do Santos, Luís Álvaro, em São Paulo. No Hotel Unique, fala sobre as oportunidades oferecidas pela Copa de 2014 em evento do Lide, de João Dória. Talvez consiga encontrar Geraldo Alckmin.

Beto Richa ajuda Serra – tucano, eleito governador do Paraná, vai a Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, pela manhã. À tarde, à Goiânia. Talvez Serra o acompanhe.

Dilma no Nordeste – às 18h30, visita Vitória da Conquista (Bahia) com Jaques Wagner. Dos 417 municípios baianos, Serra só ganhou em Vitória da Conquista e em Presidente Tancredo Neves. A candidata também visita Fortaleza (Ceará) e Caruaru (Pernambuco).

Inflação – Fipe divulga IPC referente ao período de 23.set.2010 a 23.out.2010.


Quarta (27.out.2010)
Pesquisa CNT/Sensus
– resultados já podem ser divulgados. Registro no TSE foi feito em 22.out.2010.

Dilma X Serra no Nordeste – o SBT anunciou o encontro, a partir de 12h20.

Lula faz 65 anos – em 2002, o 2° turno da eleição presidencial, vencido por Lula pela 1ª vez, caiu nesse dia (último domingo do mês, como determina a lei eleitoral). Em 2010, a campanha de Dilma divulgará o bordão: "dê um presente ao Lula: conquiste mais um voto para Dilma".

Lula em Santa Catarina – entrega última fase da reconstrução do Porto de Itajaí. Na hora do almoço, volta pra Brasília.

STF julga Ficha Limpa – em pauta, recurso de Jáder Barbalho (PMDB), candidato a senador pelo Pará considerado ficha suja pelo TSE.

Casagrande ajuda Dilma – governador do Espírito Santo, eleito pelo PSB, faz campanha para a aliada no Piauí.

Desemprego – Dieese divulga pesquisa mensal sobre emprego e desemprego. Aqui, calendário de divulgações do Dieese.

Política econômica – Comissão Técnica da Moeda e do Crédito (Comoc) faz sua reunião mensal.


Quinta (28.out.2010)
Pesquisa Ibope –
Datafolha faz entrevistas para nova sondagem e pode divulgar resultado em 29.out.2010. Ibope termina entrevistas e já pode divulgar os números novos.

Faltam 3 dias paras a eleição – último dia para realização de comícios (artigo 240 do Código Eleitoral e artigo 39 da lei 9504).

Lula no Recife – sem Dilma, faz último comício da campanha faz campanha na capital pernambucana, no fim da tarde. Antes, pode ir para o Rio por causa do início da produção de petróleo do pré-sal.

Beto Richa no Paraná – participa de eventos pró-Serra no interior do Estado.

Política econômica – Conselho Monetário Nacional (CMN) faz reunião mensal.


Sexta (29.out.2010)
Pesquisa Datafolha –
pode divulgar resultado de sondagem feita em 28.out.2010.

Serra x Dilma na “Globo” – 4° debate do 2° turno, transmitido a partir das 22h15. Aqui, lista com todos os debates da eleição presidencial de 2010.

Faltam 2 dias para a eleição – último dia do horário político no rádio e na TV. Também é o prazo: realização de debates, divulgação de propaganda eleitoral em páginas institucionais na internet e de propaganda paga na mídia impressa, segundo artigo 49 da lei 9504.

Lula em São Paulo – pela manhã, visita o Salão Internacional do Automóvel, no Anhembi.

FHC ajuda Serra – vai a passeata em apoio ao correligionário. Começa no largo São Francisco, centro de São Paulo.


Sábado (30.out.2010)
Falta 1 dia para a eleição –
último dia para promoção de carreata e distribuição de propaganda política. Não se pode mais usar alto-falantes e amplificadores de som para apoiar candidatos (artigo 39 da lei 9504).

Maradona faz 50 anos – craque argentino faz aniversário, 1 semana depois de Pelé comemorar 70 anos, em 23.out.2010.

Beto Richa – encerra sua campanha pró-Serra com caminhada em Curitiba.


Domingo (31.out.2010)
Eleição – enfim, o 2° turno. Pode-se votar das 8h às 17h, no horário local de cada cidade. As últimas urna devem ser fechadas às 18h (hora de Brasília) em locais que seguem a hora de Manaus e adotaram o horário de verão.

Referendo no Acre – além de escolher o presidente, acrianos dizem nas urnas se aprovam a supressão, já em vigor, de seu fuso horário (2 horas a menos em relação a Brasília, sem contar horário de verão).

Folha.com e UOL ao vivo – os dois portais fazem operação conjunta para transmitir em vídeo (na web, iPhones, iPads etc.) todos os acontecimentos no dia da eleição e da apuração, a partir do início da noite.

Um conto de eleição

“Vai, corre! Faz a foto, cara!", gritou pra mim o motorista do carro de reportagem, que há alguns meses – desde que começou a dirigir para o jornal - teve a vida inundada de fotojornalismo.

Era um garotinho de uns oito anos, todo maltrapilho, juntando os santinhos que traziam a cara de um determinado político. Era a foto do garoto que chamou a atenção do motorista. O pequeno moleque juntava os papeizinhos para vender por quilo na cooperativa de papel, fui descobrir depois. O piá Francisco, que aparentava um bixo de tão sujo que estava, parecia crente da vitória do tal político.

Na madrugada em que conheci Francisco ele me disse que o futuro dele já estava perdido porque havia começado a “trabalhar” como “aviãozinho” para o dono da comunidade. Uma garoa fina caía e a noite quieta, como sempre, estava de congelar os ossos. Eu, com três blusas, me senti envergonhada por ver o menino com uma calça de moletom toda furada e uma camiseta que se mostrava alguns números menor do que ele.

Passei algumas horas conversando com o garoto, enquanto o motorista do jornal divertia-se com a maravilhosa Nikon D3. Ao me despedir de Francisco, o pequenino me olhou com os seus olhos negros como a noite e me disse “vota direito, tia. Pensa, porque você tem na ponta do dedo o destino de muita gente, inclusive o meu”! Então me despedi, dando ao garoto os trocadinhos que estavam soltos no bolso do meu casaco, pois ele aparentava um imenso ar de fome. Ele, todo faceiro, saiu depois de catar as sacoladas de santinhos e os seus trocadinhos.

Eu fiquei. Aquela fatídica madrugada – comum para mim, visto meu trabalho - que antecedia a "festa da democracia", me fez pensar no meu voto, no que julguei ser melhor. Eram três os mais cotados para a presidência, porém apenas um ganharia e ocuparia a cadeira mais importante do país. E seria sentado naquela cadeira que decidiria o que é melhor para o Brasil. Para minha esperança (ainda não decidi se é mesmo esperança) a pessoa que prometeu cumprir um sonho de qualquer garoto de oito anos, que é ter uma bicicleta, não foi eleita no primeiro turno.

Quando entrei no Fórum Eleitoral às seis horas da tarde de domingo, dia 3 de outubro de 2010, vi um garotinho que me lembrou Francisco. Me encostei ao lado de uma imensa pilha de urnas eletrônicas que haviam acabado de ter suas fitas impressas. Ao olhar o telão e ver que o segundo turno era real, pensei que ainda haviam esperanças para o futuro de milhões de Franciscos que estão por aí. O sábio garoto teve sua fala mais certeira ao dizer que eu deveria votar direito e que o voto deve ser pensado, pois as rodas da vida irão girar pelos próximos quatro anos de acordo com o caminho que os 190 milhões de brasileiros irão escolher.

Texto: Luiza Slaviero - @luhslaviero

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Para meus amigos...

Irmãos da lua
Renato Teixeira



Somos todos irmãos da lua
Moramos na mesma rua
Bebemos no mesmo copo
A mesma bebida crua
O caminho já não é novo
Por ele é que passa o povo
Farinha do mesmo saco
Galinha do mesmo ovo
Mas nada é melhor, que a água
A terra é a mãe de todos
O ar é que toca o homem
E o homem maneja o fogo
E o homem possui a fala
E a fala edifica o canto
E o canto repousa a alma
Da alma depende a calma
E a calma é irmã do simples
E o simples resolve tudo
Mas tudo na vida às vezes
Consiste em não se ter nada

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

RS Notícias Especial de Sábado > 16/10/10

Pesquisa em Jornalismo é tema de evento estadual na UEPG

O Pequeno Auditório do Campus Central da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) recebe até sexta-feira, 22, o VIII Encontro Paranaense de Pesquisa em Jornalismo, promovido pela Agência de Jornalismo, Departamento de Comunicação, Centro Acadêmico João do Rio (Cajor) e Curso de pós-graduação e Grupo de Pesquisa “Mídia, Política e Atores Sociais”. O evento teve início na tarde de ontem, 20, com a apresentação de nove trabalhos de alunos e professores da UEPG e da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Segundo o coordenador do Encontro, professor Emerson Urizzi Cervi, “a ideia do evento é fazer mesas temáticas. Neste primeiro dia tivemos uma mesa que preconizou Mídia e Política e outra com os projetos de extensão do curso”. Ele explica que a tematização das mesas faz com que se direcione o debate e o torne mais qualitativo. Como balanço de primeiro dia, o professor avalia como “proveitoso, em uma tarde produtiva com as duas mesas”.

Rafael Schoenherr, professor de Jornalismo da UEPG e um dos autores do trabalho sobre legendas no projeto ‘Lente Quente: Cobertura Fotográfica da Cena Cultural de Ponta Grossa’, afirma que as apresentações dão pista de uma ligação entre as disciplinas e a extensão. “Um aspecto importante da pesquisa na extensão é distinguir as demandas que grupos sociais fazem de produtos jornalísticos”, pontua Schoenherr.

O artigo sobre legendas foi produzido por Rafael e mais cinco alunos do projeto. Entre eles, Giovana Celinski, do 3º ano, que considera que a pesquisa é “uma oportunidade de refletir sobre a prática e tematizar em um artigo científico com embasamento teórico”. De acordo com a aluna, após o debate é possível também aprimorar as produções em foto-legenda cultural que o projeto se dispõe a fazer.

“Eventos anuais como este são uma forma de vincular pesquisa à extensão de uma maneira muito inteligente”, diz o professor Carlos Alberto de Souza, que apresentou um artigo sobre a Agência de Jornalismo. Hoje, 21, o evento segue com mesas temáticas às 14h, 16h30, 19h e 21h30, com participação gratuita e emissão de certificados. Serão 19 trabalhos de alunos e docentes da UEPG, UFPR, UniBrasil (Curitiba) e Universidade Federal de Santa Maria – RS (UFSM). Outras informações em http://agenciauepg.blogspot.com.

Texto: Eduardo Godoy

E no Chile, todos tiveram luz


Uma festa política e midiática surgida a partir de uma tragédia. Esse foi um dos aspectos principais do resgate dos mineiros presos na mina San José, no Chile. O presidente chileno, Sebastian Piñera, era o principal ator da operação. Deixou uma reunião do Unasul para mostrar trabalho junto aos trabalhos de resgate. É tido como o articulador das decisões e trabalhos e ficava na mina, no deserto, sempre que um fato importante seria anunciado (por ele, claro!).

Foi assim nos últimos dias do resgate, principalmente a partir do dia 12 de outubro. Foi Piñera quem divulgou o início da operação de retirada dos mineiros pela Fênix 2, diante de dezenas de câmeras do mundo inteiro. Foram mais de mil repórteres que se deslocaram de suas redações para o deserto chileno, com o propósito de cobrir o resgate e mostrar a angústia das famílias, os trabalhos e a ação do presidente.

É impressionante observar a correria dos jornalistas atrás da mesma imagem, da mesma fala, das mesmas pessoas, das mesmas informações. Foi talvez com esse objetivo de afastar um pouco os repórteres que houve a decisão da licença apenas para a TVN, pública, fazer filmagens no local nos dois dias finais da operação. Outra hipótese é a certeza de que o presidente chileno seria mostrado sempre em ótima posição, confortando as famílias antes da saída dos mineiros e abraçando os sobreviventes dessa história que, sem dúvida, será objeto de livros, filmes e documentários. Foi tentado mostrar o chefe do governo como um representante presente em todos os momentos necessários junto ao seu povo. E conseguiu.

O traço mais marcante neste acontecimento foi, porém, a presença maciça de bandeiras chilenas, por toda a parte, a todo o momento. Além das bandeiras, os gritos de “Si, si, si, ye, ye, ye; soy minero del Chile”. A população (ou os comandados do presidente) transformou todo esse episódio em um grande evento para se mostrar ao mundo. Foram dois meses em que as câmeras se voltaram a um país apagado internacionalmente. Em um jogo de marketing, aproveitou-se o momento para expor a imagem do presidente preocupado e perfeito nas decisões, a favor de um povo nacionalista e solidário. Toda essa festa com um pano de fundo trágico, lembra a morte de Tancredo Neves, o presidente que nunca assumiu, onde o brasileiro foi às ruas gritar por mudança, enquanto o caixão do ex-chefe passava atrás.

Desta vez, tudo deu certo. Os 33 mineiros estão nas suas casas, com bons empregos certos e eternizados nas páginas de livros e fitas de vídeo (ou em arquivos digitais, para ser mais moderno e realista). As famílias tiveram seus minutos de fama. O presidente teve sua imagem de bom moço divulgada no mundo inteiro, com vistas a um cargo mais importante internacionalmente. A população pode fazer sua agitação e mostrar seu valor cultural e solidário. A mídia conseguiu uma notícia para vários dias de trabalho. E alguns jornalistas puderam até fazer uma cobertura internacional, com a viagenzinha paga pela chefia. Todos saíram ganhando. E agora, qual é o próximo assunto?

Texto: Eduardo Godoy
Foto: Carlos Espinoza/AP