terça-feira, 11 de janeiro de 2011

(des)Respeito ao passado

Durante 2010 comecei a perceber a desvalorização empenhada em prédios históricos. Prédios que revelam não só a arquitetura de uma época, mas trazem histórias escondidas em seus tijolos de barro artesanais e janelas de madeira. São resquícios da história local, de uma cultura retratada e localizada ao longo dos anos nas paredes descascadas de bibliotecas, cinemas, casas de comércio, bares e lares. E, depois de tanto tempo carregando as emoções humanas em forma de prédio, vão abaixo para dar lugar ao desenvolvimento desmedido e malvado. Tal desenvolvimento que se esquece do passado, relegando-o às fotografias em preto e branco. O filho desenvolvimento manda seu pai passado para o asilo do lixão, sem ouvir suas aventuras joviais, seus amigos e sentimentos. As lágrimas do prédio caem pelo encanamento da cozinha.

Antiga Biblioteca; futuro entulho

A foto acima, tirada na tarde de hoje, 11, é, talvez, uma das últimas imagens de mais um prédio que está morrendo em Santo Antônio da Platina. A casa, na rua Rui Barbosa, abrigou, durante anos, a Biblioteca Municipal José de Alencar. É (ou era) uma das últimas casas antigas no centro da cidade, tomada pelo comércio que vem se revitalizando nos últimos anos e enchendo as fachadas de placas e mais placas.

A Biblioteca foi alvo de uma matéria minha em 2008 devido aos problemas estruturais e administrativos. Chovia nas dezenas de livros armanezados em prateleiras que poderiam cair a qualquer minuto. Vi a situação pelas janelas, entreabertas, já que fui duas vezes ao local e não havia funcionário. Na terceira vez consegui conversar com um atendente, que informou que não poderia responder pelos problemas estruturais e a ausência de atendimento se devia à falta de funcionários da prefeitura.

Saí da Biblioteca e fui ao gabinete do Chefe do Departamento de Cultura, órgão integrante da Secretaria de Educação e Cultura. Dr. Neno Bartholomei disse que uma reforma era realmente necessária e iria sair, porém, sem data prevista. Sobre a falta de funcionários, resolveu na hora. Telefonou ao responsável, que disse estar de atestado médico. Acredite quem quiser... Em 2009 outros meios da imprensa local denunciaram a situação da Biblioteca Municipal, que foi transferida para uma recém-terminada ‘sala de comércio’, sem nenhuma característica que lembrasse um prédio cultural. Os livros foram salvos, mas o marco da cultura local, necessitada apenas de uma reforma, agora está indo abaixo.

Ao lado da demolição já é possível ver outro grande terreno, talvez do mesmo dono, com a terraplanagem pronta para se incorporar à área ‘limpa’. Possivelmente será construído mais um grande prédio para abrigar um comércio. Enquanto isso, a Casa da Cultura Platinense está fechada, esperando a prometida reforma; o prédio da antiga Casa Carvalho foi transformado em uma rosada lojinha de bijouterias; o velho Foto Tanko está dando lugar a outro ponto de comércio; a Casa das Meias morreu e em seu lugar levantaram duas lojas; o Calçadão Manoel Arrabaça Ribeirete, que eu chamava carinhosamente de ‘Calçadão Bossa-Nova’, foi transformado em uma mescla de cores estranhas, com pequenos espaços (das mesmas cores) para comércio de lanches e com postes de luzes horríveis; a praça São Benedito foi tomada por prédios públicos, inclusive uma Biblioteca Cidadã, do Governo Estadual, com arquitetura ‘sem-sal’; e a praça Frei Cristóvão Capinzal está às escuras, também aguardando a prometida reforma, principalmente no coreto (por mim tirava-o e colocava o antigo chafariz, muito mais bonito).

Os tijolos de barro artesanais e as janelas de madeira estão caindo. Com elas, o passado platinense, a história de uma cidade quase centenária e a cultura arraigada nos pisos e assoalhos de nossos antigos lares.


Texto: Eduardo Godoy
Foto: Eduardo Godoy

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A novela é mexicana, mas o protagonista é gaúcho!

O nome do protagonista é Ronaldo de Assis Moreira, vulgo Ronaldinho Gaúcho. O personagem secundário, ou principal, depende do ponto de vista, é Roberto de Assis Moreira, irmão e empresário do primeiro e conhecido apenas como Assis. O roteiro envolve drama, confusão, paixão, futebol e principalmente dinheiro, muito dinheiro.

O enredo teve início ainda no ano de 2010, com o fim da temporada no Brasil e o começo do vai-e-vem no mercado da bola. Também tiveram início os boatos sobre a volta do jogador ao futebol brasileiro. Os primeiros clubes a sondarem o craque foram Palmeiras e Grêmio, logo depois o Flamengo entrou na briga. Ronaldinho não vinha em grande fase no Milan e, como alguns jogadores na sua idade, estava desejoso de voltar ao Brasil, assim como fez Ronaldo. O Fenômeno chegou a fazer menção de repetir a dupla Ro-Ro com a camisa do Timão, e Andrés Sanches, presidente do Corinthians, manifestou a vontade e possibilidade de contar com Gaúcho no elenco, porém, tudo sem euforia e com certa distância.

Já a postura do Grêmio foi bem distinta da adotada pelo Corinthians. Os Gaúchos contavam como certa a volta de Ronaldinho às origens, afinal, foi o time gaúcho que revelou o craque e o projetou no cenário nacional, e quase tudo parecia certo. Quase tudo... O próprio jogador chegou a declarar que por sua vontade já estaria com a camisa do Grêmio. Sábio Ronaldinho, essa era SÓ a sua vontade, mas, sempre existem outros interesses envolvidos, ainda mais na transição de um dos maiores e mais cobiçados jogadores do mundo.

O Grêmio chegou a colocar caixas de som no Estádio Olímpico, para o que seria a festa no regresso do ídolo. Torcedores se aglomeraram em frente ao Estádio na espera do jogador. Nada feito, afinal, como dizem os ‘boleiros’, o jogo só acaba quando termina, e no caso das transições no futebol, o jogo só acaba quando o contrato é assinado. E assim foi com a novela Ronaldinho Gaúcho. A trama teve uma guinada e tanto com a entrada de outro personagem, Adriano Galliani, o vice-presidente do Milan.

Já na entrevista coletiva, concedida na última quinta-feira, 06, Galliani manifestou claramente a sua preferência pelo clube carioca. "A decisão final é do Ronaldinho e do Milan, mas pelo coração eu gostaria que fosse o Flamengo", declarou o dirigente italiano. No sábado, 08, já em reunião com representantes do Flamengo, inclusive a presidente Patrícia Amorim, no apartamento de Galliani, no Leblon, o destino do craque parece ter mudado de vez. “Acredito que Ronaldinho é 99,99% do Flamengo”, declarou o vice-presidente na saída do encontro. Já Patrícia Amorim, mais cautelosa, parecendo conhecer bem o ditado aqui já mencionado, disse que o Flamengo fez tudo que pode e que está animada, mas sabe das complicações da negociação. “A ansiedade é grande, mas o importante é que o Flamengo está aguerrido na busca de trazer esse grande jogador”, afirmou Patrícia.

A guinada na novela trouxe felicidade e euforia para os flamenguistas; decepção para corintianos e palmeirenses; mas principalmente despertou o ódio nos gremistas. Desde os mais simples até os mais ilustres torcedores do Grêmio, a demonstração de ira com o fim da trama é unânime. Faixas de repúdio ao jogador e ao seu irmão, que também jogou no time gaúcho, foram colocadas no Olímpico, com os dizeres: “R10 e Assis, que Deus perdoe vocês. Porque a nação gremista não vai perdoar!”. Fazendo menção a marca R10, que pertence ao craque. Além disso, os gritos de “pilantra” e “mercenário” não ecoam somente nos bares e padarias, mas também na Internet. O site ‘Dentuço pilantra’ (http://www.dentucopilantra.com.br/) foi reativado. O conteúdo da página não é nada lisonjeiro a Ronaldinho, muito menos ao seu irmão e empresário, Assis.

O ressentimento foi parar até no âmbito político: o deputado gaúcho Gilmar Sossella (PDT), torcedor declarado do Grêmio, disse que vai propor à Assembleia Legislativa que o jogador seja declarado ‘persona non grata’ no Rio Grande do Sul. A expressão em latim refere-se a uma pessoa que não é bem-vinda em determinado lugar. O desfecho da novela Ronaldinho mereceu comentários até da realeza do futebol. Pelé deu sua opinião sobre o caso e foi taxativo. “Ele deveria jogar de graça no Grêmio, já que ele ama o time. Ele está com a vida feita, né?”, criticou o Rei. Ele ainda relembrou a temporada de 1974, em que jogou de graça pelo Santos, já que o Clube passava por dificuldades.

Normalmente as novelas acabam nas sextas-feiras. Já essa, acabe quando acabar, já tem o resultado mais que explícito. Ronaldinho Gaúcho prejudicou muito sua imagem no Brasil, seja, como alguns dizem, por culpa de Assis, pelo decorrer dos fatos, ou mesmo por sua indecisão. Agora críticas surgem de todos os lados e, se o jogador, cultiva o sonho de jogar a Copa de 2014 no Rio vai ter que reconquistar a confiança dos brasileiros e principalmente, seja no clube que for, voltar a jogar o futebol que esperam dele.

Texto: Afonso Verner

sábado, 8 de janeiro de 2011

"Cidade Jóia de belezas mil..."

Santo Antônio da Platina (PR) - 06 de janeiro de 2011.
Foto: Eduardo Godoy

Bernardo está com medo da Globo. E mistura “liberdades”

- Do blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim (****)

O Ministro das Comunicações Paulo Bernardo prometia. Era o primeiro Ministro das Comunicações desde o fim do regime militar que não tratava a Globo com mel. Não fazia reverência ao Senador Evandro Guimarães, todo-poderoso homem da Globo em Brasília. Ia tudo muito bem – ele peitou as teles e disse que ia fazer banda larga a R$ 30. Até que ele se viu diante da Globo. E, aí, ele piscou.

O repórter Samuel Possebon, da respeitada Teletime, revelou que Bernardo não considera um marco regulatório, ou Ley de Medios, ou “como enquadrar a Globo” – prioritário. Bernardo, aí, disse no twitter que esse pessoal está muito “ansioso”. Devem ser o Possebon e este ansioso e ordinário blogueiro, que reproduziu a excelente matéria do Possebon. Agora vem a comprovação: Bernardo também tem medo da Globo. Vamos à prova indiscutível.

Hoje, na Folha (*), pág. A4, aparece uma entrevista do Ministro Bernardo à reporter Elvira Lobato: “Ministro defende proibição de que políticos tenham TV”. (Trata-se de uma defesa inócua, porque ele mesmo diz que é mais facil decretar um impeachment de Presidente do que aprovar isso no Congresso.)

Vamos ao que interessa. Lobato pergunta o que ele vai fazer com o projeto do Franklin Martins (nascido aos 45′ do segundo tempo do Governo Lula) sobre a regulação. Bernardo responde: “O projeto tem que ser colocado em debate público”. Tradução: vou depositar o projeto do Franklin na mesma lata de lixo em que repousam os quatro projetos de Ley de Medios do Governo Fernando Henrique. Se há um assunto que não precisa mais ser discutido é a Ley de Medios. Até porque o Governo anterior – a que Bernardo serviu com lealdade – convocou um fórum internacional para discutir a matéria e, aí, se tornou claro que “regulação” não é “controle”.

E quando houver a próxima eleição e a Globo derrubar a Dilma? Aí, então, o Ministro Bernardo vai se lembrar que o Brasil discute o papel da Globo há décadas? Será que ele nunca ouviu falar em “o povo não é bobo …”? Será que lá dentro, no Palácio, no dia da posse, ele chegou a ouvir essa singela homenagem do povo à Globo?

Lobato pergunta: o Governo quer controlar a imprensa (como se “regulação” significasse “controle”)? É a pergunta típica do PiG (**): misturar uma coisa com a outra para afugentar ministros trabalhistas. Resposta do ministro trabalhista: “… precisamos de um marco regulário” (Mas, todavia, contudo, entretanto – PHA) … há questões econômicas a definir : se teles vão fazer TV a cabo em larga escala, se a convergência das midias se dará livremente ou se vai ter regra para o jogo. Acho que tem que haver uma regra. A liberdade de expressão é vital na democracia e ninguém no Governo não vai mexer nisso.” Tradução: trata-se de um desastre revestido numa tragédia.

Primeiro. Se o Brasil for esperar para saber se a tv a cabo das teles vai ser “em grande escala” (sic). Se o Brasil tiver que esperar pela regulação da convergência das mídias… Se o Brasil tiver que esperar pela utilização do Windows nos tablets, como pretende Steve Ballmer (Estadão, pág. B12). Se o Brasil for esperar o Padim Pade Cerra romper com o Fernando Henrique. O Ronaldo Fenômeno emagrecer. Se o Brasil for esperar… Se esperar, a Globo, como faz desde o Governo João Goulart, vai operar num “marco regulatório” em que ela faz o que quer. (Especialmente dos parlamentares trabalhistas, que morrem de medo dela.)

Outra tradução: o Ministro não quer mexer na “liberdade de expressão”. O Ministro precisaria dar uma lida no excelente livro do professor Venício Lima, com prefácio de Fabio Comparato, sobre a diferença capital entre “liberdade de imprensa” e “liberdade de expressão”. “Liberdade de imprensa ” nessa democracia do Ministro Bernardo é a liberdade dos filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio. “Liberdade de expressão” foi o que faltou à Dilma, no jornal nacional, para responder à campanha do aborto que a Blá-blá Marina e o Cerra lançaram contra ela. “Liberdade de expressão” não têm os trabalhadores, os nordestinos, os homossexuais, os cadeirantes, os benficiários do Bolsa Familia, quando os “colonistas (***) do PiG e da Globo os desmerecem. “Liberdade de imprensa” o Cerra tem. “Liberdade de expressão” foi o que faltou à Dilma. “Liberdade de expressão” foi o que o Lula nunca teve no jornal nacional. “Liberdade de expressão” foi o que o Lula não teve quando o Ali Kamel levou a eleição para o segundo turno em 2006 – clique aqui para ler “O Primeiro Golpe já houve, falta o segundo”. Onde o Lula poderia se defender? Como a Dilma se defendeu das acusações do Cerra, da mulher do Cerra e da Blá-blá Marina sobre o aborto? No horário eleitoral gratuito, e olhe lá.

Essa mistura de “liberdade de imprensa” com “liberdade de espressão ” é exatamente a ideologia do PiG. E o Ministro Bernardo comprou o bonde do PiG.

Por fim, o Ministro defende – por omissão – a posição do PiG e da Globo num outro capítulo central. Pergunta a Lobato: o senhor acha justo que o Terra, que é da Telefonica de Espanha, tenha um portal da internet (a pergunta não foi bem assim. Foi oblíqua.)? Resposta do Ministro, recostado no muro de couro macio que o PiG armou: não sei. Isso é coisa para o Supremo. Supremo? Então, o “marco regulatório” também vai ficar para o Supremo? E o pré-sal, Ministro, o Lula deixou para o Supremo, ou aprovou no Congresso? O Ministro Bernardo usa uma antiga forma de despiste. Reveste de questão “tecnológica” uma questão “política”. Passa “ciência” com manteiga no pão da “ideologia”.

Amigo navegante, como diria o Galvão Bueno, depois que a Holanda empatou: a coisa já esteve melhor para o Brasil. Quando Paulo Bernardo foi nomeado e se pensava que ele não tratava o Senador Evandro de “Senador”. Parece que trata.


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(***) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (**) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

(****) Link deste artigo: http://migre.me/3v1QD

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Clichê necessário

A era Dilma começa agora e é sempre bom lembrarmos um pouco sobre a realidade brasileira de tantos e tantos anos... desde Cabral. Essa realidade, porém, pode e deve ser mudada. Não só por políticos, mas pelo brasileiro! Afinal, somos espelhos uns dos outros, desde os atos mais simples, cotidianos, aos grandes rombos públicos. Começo de ano é o momento em que todos pensam em renovação. Renovemos também nosso pensamento. Esperançoso e justo 2011 a todos!



UNIMULTIPLICIDADE
Composição: Ana Carolina e Tom Zé

Neste Brasil corrupção
Pontapé bundão
Puto saco de mau cheiro
Do Acre ao Rio de Janeiro

Neste país de manda-chuvas
Cheio de mãos e luvas
Tem sempre alguém se dando bem
De São Paulo a Belém

Eu pego meu violão de guerra
Pra responder essa sujeira

E como começo de caminho
Quero a unimultiplicidade
Onde cada homem é sozinho
A casa da humanidade
Onde cada homem é sozinho
A casa da humanidade

Não tenho nada na cabeça
A não ser o céu
Não tenho nada por sapato
A não ser o passo

Neste país de pouca renda
Senhoras costurando
Pela injustiça vão rezando
Da Bahia ao Espírito Santo

Brasília tem suas estradas
Mas eu navego é noutras águas

E como começo de caminho
Quero a unimultiplicidade
Onde cada homem é sozinho
A casa da humanidade


SÓ DE SACANAGEM
Texto: Elisa Lucinda

Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta a prova? Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro. Do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta a prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e todos os justos que os precederam. 'Não roubarás!', 'Devolva o lápis do coleguinha', 'Esse apontador não é seu, minha filha'. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar! Até habeas corpus preventiva, coisa da qual nunca tinha visto falar, sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará! Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear! Mais honesta ainda eu vou ficar! Só de sacanagem!
Dirão: 'Deixe de ser boba! Desde Cabral que aqui todo mundo rouba!
E eu vou dizer: 'Não importa! Será esse o meu carnaval! Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos.'
Vamo pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambal.
Dirão: 'É inútil! Todo mundo aqui é corrupto desde o primeiro homem que veio de Portugal!'
E eu direi: 'Não admito! Minha esperança é imortal, ouviram? Imortal!'
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quizer, vai dar pra mudar o final!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A pipa do meu vô não sobe mais

Meu vô é mestre em pipas. Pipas, ou papagaios, como queiram. Eu prefiro chamar de pipa. Pois bem, meu avô é expert na arte de construir pipas. Pipas que rasgam o céu azul de Santo Antônio da Platina, voando levemente com a brisa das férias. Minha maior lembrança da infância é ver meu vô vendendo pipas e jujóias (ou saquinhos, ou sacolés) nas tardes quentes do verão platinense.

Eu passava horas e mais horas na casa da minha vó durante as férias. Às vezes meu primo também ia. Nos dias mais animados, brincávamos com os vizinhos em um terreno abandonado ali do lado. Fazíamos caça ao tesouro, que não passava de uma latinha ou qualquer outro objeto que achávamos. Ou simplesmente ficávamos conversando sentados nas ruínas do que um dia tinha sido uma casa, enquanto tentávamos destruir as pequenas paredes que ainda estavam em pé. Os tijolos mais antigos são mais resistentes!

Em outros dias, outros tempos, brincávamos de carrinho de rolemã na rua da casa da minha vó, íngreme e não tão movimentada como hoje. Lembro de minha vó gritando pra gente brincar na calçada. Eu não gostava da calçada: me fez arrancar uma lasca da ponta do dedão do pé em uma descida mal planejada pelos co-pilotos. O freio falhou e eu estava de chinelo. Ou eu parava com meu pé na calçada de cimento ou ia direto para a rua e um buraco do outro lado, correndo o risco ainda de ser atropelado. Fiquei com a primeira opção.

Bom, mas voltando às pipas, dizia que meu vô é mestre nessa arte. Nas férias, vendia cerca de 10 a 15 por dia! Os garotos deviam me invejar por não ter que pagar minha pipa e ainda poder escolher a cor e o tamanho da rabiola (a cauda, feita com tiras de sacolas de plástico). E ainda tinha jujoia de graça! Qualquer sabor, a qualquer hora. Era a infância perfeita na casa da minha vó.

Hoje meu vô não constroi mais pipas com a agilidade de antigamente. Não que sua técnica tenha sido esquecida ou seus movimentos tenham ficado menos ágeis. É que não precisa mais atender a tanta demanda. Vende uma, ou duas, por semana. Segundo minha vó, os garotos aprenderam a fazer pipa. Não precisam mais comprar. O papel encontra em qualquer papelaria, com inúmeros desenhos, de todos os tipos e cores. O bambu é fácil de achar no supermercado ou em lojas de produtos rurais. Tudo ficou muito fácil. E meu vô não vende mais pipas. Mas eu garanto que nenhum desses garotos conhece a arte de construir pipas. Só sabem fazer. Isso até eu sei. Mas construir mesmo, com toda a engenharia milimétrica, rústica e apurada, é só com meu vô. Eles não sabem o que estão perdendo!

Texto: Eduardo Godoy

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Incêndio destroi duas casas

Um incêndio no Jardim São Cristóvão na madrugada da terça-feira, 28, deixou duas casas de madeira destruídas. O fogo, que começou à 01h20, só foi controlado por volta das 2h30. Já o rescaldo deve prosseguir até cerca das 3h. Ninguém ficou ferido, apesar das chamas terem alcançado em torno de 10 metros. A família conseguiu retirar a tempo um botijão de gás e colchões, porém móveis, roupas e eletrodomésticos foram todos queimados. A tragédia mobilizou dois caminhões do Corpo do Bombeiros, uma ambulância e outra viatura da corporação. Dezenas de pessoas saíram de suas casas para acompanhar o trabalho do Corpo de Bombeiros, além de órgãos da imprensa, como o portal de notícias npdiario.com, jornal Tribuna do Vale e as rádios Difusora Platinense AM e Vale do Sol FM. É a primeira vez que ocorre um incêndio de tamanha proporção na vila e arredores.





Texto: Eduardo Godoy

Fotos: Eduardo Godoy

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Depois De Nós

Engenheiros do Hawaii
Composição: Carlos Maltz


Hoje os ventos do destino
Começaram a soprar
Nosso tempo de menino
Foi ficando para trás
Com a força de um moinho
Que trabalha devagar
Vai buscar o teu caminho
Nunca olha para trás

Hoje o tempo voa nas asas de um avião
Sobrevoa os campos da destruição
É um mensageiro das almas dos que virão ao mundo
Depois de nós

Hoje o céu está pesado
Vem chegando temporal
Nuvens negras do passado
Delirante flor do mal
Cometemos o pecado
De não saber perdoar
Sempre olhando para o mesmo lado
Feito estátuas de sal

Hoje o tempo escorre dos dedos da nossa mão
Ele não devolve o tempo perdido em vão
É um mensageiro das almas dos que virão ao mundo
Depois de nós

Meninos na beira da estrada escrevem mensagens com lápis de luz
Serão mensageiros divinos, com suas espadas douradas, azuis
Na terra, no alto dos montes, florestas do Norte, cidades do Sul
Meninos avistam ao longe
A estrela do menino Jesus

domingo, 19 de dezembro de 2010

Natal do consumismo

Mais um Natal. Mais uma vez o consumismo ofuscando o motivo principal da festa. Em 2009 já escrevi sobre isso nesse mesmo espaço. Tinha esperanças que em 2010 o nascimento de Jesus aparecesse mais em relação à forma capitalista de comemorar. Que engano. As propagandas com produtos natalinos começaram no início de novembro, há cerca de dois meses da data.

Comprar, comprar e comprar! Este é o grito de guerra que move os consumidores. “É só uma lembrancinha”, “Presente de amigo-secreto”, “Tenho que fazer uma lista pra não esquecer de ninguém”, “Meu 13º vai todo pra comprar presentes”. Essas são as frases mais ouvidas em reportagens sobre compras de Natal na 25 de Março, em São Paulo (‘carne de vaca’ que faz parte do calendário jornalístico contemporâneo). Para os vendedores e empresários, vender, vender e vender! Tenho a impressão de que antes de começarem a jornada de 14 horas exaustivas de consumismo desenfreado, os lojistas gritem “vender, vender e vender!”.

As metas aumentam a cada ano. Porcentagens só sobem. Produtos estão sempre mais modernos. Crianças querem sempre mais. E no meio disso tudo, até os presépios vão desaparecendo das vitrines. Quem deu início a toda essa festa é esquecido, renegado às pequenas representações. Ninguém mais lembra o porquê de tantas compras, tanta comilança na ceia do dia 24, tanta confusão pelos melhores presentes.

Jesus? Ah... é aquele que nasceu na Páscoa, não é? O cara que realmente importa em dezembro é o Papai Noel. E em 2011, infelizmente, será da mesma forma.
Texto: Eduardo Godoy

sábado, 18 de dezembro de 2010

Natal de Luz 2010 encanta público do Norte Pioneiro

O Natal de Luz 2010 começou no último sábado, 11, com público estimado em 2,5 mil pessoas. Com o tema “Tradição, Cultura e Fé”, o grupo, de 109 crianças e adolescentes, pretende mostrar os traços culturais brasileiros com muita música, cores e luzes. Ao final de cada apresentação, um espetáculo de fogos de artifício encanta o povo que assiste durante uma hora a apresentação, em pé, em frente ao Centro Pastoral Catequético Frei Clemente Vendramin. O show é organizado pelo Grupo de Canto Sementinha, Spaço Arte e Música e Paróquia Santo Antônio de Pádua, sob coordenação de Neuzeli França Ribeiro César e Marly Prado Papi Crespo. O evento, que em 2011 completa 10 anos, é patrocinado pelo Sicredi, Bordignon, Samp Fiat e Schmidt Honda, com apoio da Prefeitura Municipal de Santo Antônio da Platina. As próximas apresentações serão no domingo, 19, e o encerramento na quinta-feira, 23 de dezembro, com grande show pirotécnico ao final. Confira algumas fotos da apresentação de ontem, sexta-feira, 17.








Texto: Eduardo Godoy

Foto: Eduardo Godoy

Natal da Apae conta com 185 Papais Noéis

O Papai Noel chegou à Apae de Santo Antônio da Platina. Ele entregou 185 presentes doados pela comunidade platinense no projeto “Madrinhas e Padrinhos do Natal da Apae”, realizado todo ano. Cada madrinha ou padrinho adotou um ou mais alunos da entidade para a doação de um brinquedo. A entrega, feita pelo Bom Velhinho, aconteceu na sexta-feira, 10, nos períodos da manhã e tarde.Além dos presentes, os alunos aprenderam sobre a história do presépio de Natal e escutaram passagens bíblicas. No final, o Papai Noel levou os estudantes ao delírio na entrega dos brinquedos.

Segundo a diretora da Escola de Educação Especial Renascer, Rita de Cássia Botareli, a solidariedade do povo platinense novamente se fez presente. “É mais um momento em que vemos como a comunidade confia no nosso trabalho”, afirma Botareli. Segundo ela, a Escola Renascer e o Centro Clínico Especializado, mantidos pela Apae, atendem 185 pessoas, de 0 a 60 anos com deficiência intelectual ou múltipla.

Apae em 2010
Durante o ano, a Apae realizou inúmeros projetos e teve diversas conquistas. O Grupo Renascer, de fanfarra, flauta doce e canto, participou do Festival Estadual Nossa Arte, se apresentando no Teatro Guaíra, em Curitiba. Em agosto houve a Semana da Pessoa com Deficiência Intelectual ou Múltipla, levando informações às escolas, bancos e comunidade platinense. O Centro de Equoterapia começou a funcionar na Apae Rural, com um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo em uma abordagem multidisciplinar, buscando o desenvolvimento biopsicossocial do assistido.

Em parceria com o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Norte Pioneiro (Cisnorpi), o Centro Clínico Especializado entregou 26 aparelhos de tecnologia assistiva, como cadeiras de rodas adaptadas, órteses, carrinhos de rodas, andadores, estabilizadores e cadeiras de banho. E a construção da Nova Apae continua, com o Salão de Eventos, Centro Profissionalizante, casa para vigia e Caixa coletora de água da chuva.

De acordo com o secretário regional da Apae, Alexandre Augusto Botareli César, “mais do que a construção de prédios, entendemos que a maior obra da Apae está em trabalhar na construção de cidadania para as pessoas com deficiência intelectual e múltipla que atende”. Na próxima semana será distribuído gratuitamente à comunidade platinense a quarta edição do Vejapae, uma revista com as realizações do ano, prestação de contas e informações sobre a Escola Renascer.


Texto: Eduardo Godoy
Foto: Eduardo Godoy

Rock in Rio: brasileiro até que medida?

Platéia na Cidade do Rock - Rock in Rio 2010 Lisboa



por Afonso Verner

Depois de anos longe, o Rock in Rio voltou à terra tupiniquim. A última edição no Brasil (2001) teve atrações internacionais como Iron Maiden, Foo Figthers, Guns N' Roses e Red Hot Chili Peppers. Na edição de 2011 o festival promete agradar com os shows já confirmados das bandas ‘gringas’ Coldplay, Motorhead, Snow Patrol e Metallica. Mas, em termos de atrações nacionais, o Rock in Rio 2011 deixa a desejar.

Na sua primeira edição (1985), o Rock in Rio teve na programação artistas principiantes no cenário musical brasileiro - como Lulu Santos, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Kid Abelha - que depois se tornaram referência para as próximas gerações. Na edição seguinte (1991) a organização continuou a acertar na escolha dos shows nacionais e internacionais. Dentre os gringos que subiram ao palco estavam Jimmy Cliff e Judas Priest; os brasileiros foram bem representados por Engenheiros do Hawaii, Titãs, Roupa Nova, Sepultura, Inimigos do Rei, Lobão, Paulo Ricardo, Capital Inicial, Léo Jaime e Nenhum de Nós. Em 2001 o destaque internacional foi para o Iron Maiden; já nesta edição notava-se a queda das atrações nacionais; nesse ano o destaque era Cássia Eller, que estava no auge da sua carreira. Antes divido entre três ou quatro artistas, agora o peso de atração principal do Rock nacional recaía apenas sobre a cantora.

Desde então o cenário nacional ficou estagnado. No festival de 2011 as atrações, legitimamente brasileiras, são quase todas remanescentes da década de 90 e até de 80; como Skank, Capital Inicial, Sepultura e Angra; fato que reflete a baixa produtividade do Rock Nacional nos últimos anos. A única exceção é a cantora Pitty, que participou da gravação do ‘jingle’ do Festival. A baiana de 33 anos lançou seu primeiro CD no ano de 2003 e participou do Rock In Rio Lisboa (2004), além de ter gravado ao lado de lendas do Rock Nacional, como no Acústico MTV da Banda Ira.

Contudo, apenas um artista em dez anos é muito pouco para o cenário roqueiro nacional. A escassez de atrações brasileiras, vindas da nova safra, na programação do Festival não é culpa ou escolha da organização. Parece mais com um conjunto de fatores, que envolve o público, meios de comunicação e as grandes gravadoras. O país tem sofrido uma invasão de ‘roqueiros’ que vestem colorido e falam de ‘amor adolescente’; o Rock politizado tem perdido espaço e se retido aos porões, cada vez menos freqüentados. Não é meu intuito entrar no mérito de isso é bom ou aquilo é ruim, mas desde a virada do milênio o Brasil perece de Bandas de Rock.

As últimas bandas aclamadas pela mídia e pelo público são do final da década de 90 e parte delas já se desfez. O Raimundos praticamente acabou depois da saída do vocalista Rodolfo Abrantes. Hoje o grupo voltou à estaca zero, atuando quase como uma banda independente. Rodolfo montou o Rodox, banda formada por músicos já rodados na cena, como o baterista Fernando Schaefer (ex-Pavilhão 9 e Korzus) e o guitarrista Patrick Laplan (atual Eskimo, ex-Biquini Cavadão e Los Hermanos). O grupo propôs um som pesado, intitulado por alguns como Hardcore Cristão, porém que não durou muito: em menos de dois anos o Rodox se desfez com uma briga em pleno show. O Charlie Brown Junior passou pela situação inversa: apenas o vocalista permaneceu e todos os outros integrantes deixaram o projeto. Chorão recrutou novos membros e continuou o trabalho, mas a banda nunca mais foi a mesma e o seu som mudou consideravelmente. Champignon assumiu o baixo da banda Nove Mil Anjos, formada também por Peu Sousa (guitarrista, ex-Pitty), Junior Lima (baterista, ex-Sandy & Junior) e Péricles Carpigiani (vocalista, ex-Fuga). O grupo logo ganhou destaque na mídia, já que os integrantes tinham fama individual anteriormente, porém esse sucesso não se repetiu com o Nove Mil Anjos, que não agradou nem publico nem crítica. Outras bandas como Tihuana, Detonautas, Matanza, Dead Fish, CPM 22 (deixando de citar várias outras) não renderam o que os críticos e o público esperavam e acabaram por ocupar um lugar secundário na mídia.

Se a descoberta de novas bandas virá em tempo ou não, aí é uma questão que foge do nosso controle. Mas a constatação de que o país anfitrião do Festival não terá a representação devida nos palcos é algo preocupante. Porém, é prepotência imaginar que o Brasil não tem bandas competentes o bastante para representá-lo bem. Basta imaginar que essas bandas estão por aí, perdidas em algum barzinho ou porão, sem ter o espaço midiático merecido. O que resta é descobri-las.

Texto: Afonso Verner
Foto: Agência Zero - http://www.flickr.com/photos/rockinrio/5126621811/

sábado, 27 de novembro de 2010

Financiamento é liberado para construção do Centro de Música

Na manhã deste sábado, 27, o governador do Paraná, Orlando Pessuti (PMDB), assinou a liberação de verba estadual para que seja construído o Centro de Música de Ponta Grossa. A assinatura aconteceu na Câmara Municipal e foi acompanhada pelo prefeito Pedro Wosgrau Filho (PSDB), o secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e superintendente do ParanáCidade, Wilson Lipski, deputado estadual Péricles de Mello (PT), reitor da UEPG, João Carlos Gomes, presidente do Legislativo de Ponta Grossa, Alessandro Lozza (PSDB), secretário municipal de Planejamento, Ribamar Krüger, secretário municipal de Governo, João Barbiero, e outras autoridades.

O prédio será erguido no terreno das antigas Indústrias Wagner (próximo ao Muffato, região de Olarias), onde está em pé somente uma de suas chaminés, tombada pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico (foto). O Centro de Música custará R$ 4,3 mi, por meio de financiamento do Governo Estadual. No mesmo local será construída ainda a nova Biblioteca Municipal, no valor de R$ 3,7 mi. Há um projeto de construção também da Pinacoteca de Ponta Grossa.

Segundo o maestro da Banda Lyra dos Campos, Juliano Amaral, o Centro “é um excelente projeto, porque Ponta Grossa é uma cidade musical, tem várias bandas, tem orquestra, tem banda militar e o Centro de Música vai agrupar tudo isso em um só local”. De acordo com ele, mesmo não sendo no centro da cidade, os grupos irão ganhar com o projeto. “É um local amplo que vai ter bastante condição de melhorar o nível dos músicos de Ponta Grossa e não é tão afastado do centro”, conclui Amaral.

Lyra dos Campos faz concerto
A Banda Lyra dos Campos faz uma apresentação especial no dia 15 de dezembro, às 20h, no auditório A do Cine-Teatro Ópera. Segundo o maestro Juliano Amaral, o concerto terá um repertório especial. “É um repertório bem eclético, trabalhado o ano inteiro pela Banda, que vai do erudito ao popular”, conta Amaral. A entrada será franca.

A Banda Escola Lyra dos Campos completou 58 anos de fundação no dia 22 de novembro. Começou com 24 componentes e sob regência de maestro Paulino Martins Alves, que hoje dá nome ao Conservatório Musical. Hoje conta com 50 alunos e um quadro de troféus invejável por bandas e fanfarras.


Texto: Eduardo Godoy