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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Boa fase no Bom Dia Paraná

Depois da nova fase do Bom Dia Paraná, que começou em seis de dezembro de 2010, ainda não tinha tido a oportunidade de assisti-lo. Ou melhor, em época de férias levantar cedo torna-se um grave problema. A questão é que hoje, devido a uma insônia daquelas, assisti grande parte da programação matutina da TV Globo, inclusive o Bom Dia Paraná, da RPC TV. E me surpreendi!

Com apresentação competente de Wilson Soler, que também ocupa o cargo de diretor de Fiscalização do Exercício Profissional do Sindijor-PR, e Thais Beleze, formada em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, o jornal conta com 60 minutos de duração, das 6h30 às 7h30, quando dá lugar ao Bom Dia Brasil. Um dos fatos que me surpreendeu foi a quantidade de links ao vivo em pleno começo de manhã. Só hoje foram seis: Curitiba, Maringá, Londrina, Paranavaí, Cascavel e Foz do Iguaçu, além de imagens de Caiobá, Paranaguá e Guarapuava. Isso mostra a valorização empregada pela central televisiva do GRPCom, da capital, nas praças do interior.

Outro ponto que chamou a atenção foi a participação, também ao vivo, de personagens e fontes importantes, como uma advogada do Procon de Curitiba, uma personagem de Londrina, o presidente da Sociedade Rural de Paranavaí e o secretário estadual de Infraestrutura e Logística.

A seleção de pautas também é outro aspecto positivo, indo de economia, política, agrobusiness e cotidiano a assuntos menos factuais, porém de grande importância para o telespectador da manhã, como o quadro semanal sobre direitos do consumidor (que ocupou cerca de 15 minutos do noticiário, com entrevista no estúdio e link ao vivo do Calçadão de Londrina) e a situação estrutural dos aeroportos do Paraná (com entrevista ao vivo no estúdio de Maringá).

A previsão do tempo, apresentada por Adriana Milczewski, também não deixa a desejar, mostrando ainda a previsão pluviométrica do dia nas regiões do estado. O ponto negativo, porém, vai para um assunto que não muda em todos os outros noticiários do grupo: a polarização do futebol paranaense em torno dos times da capital. Uma matéria hoje mostrou a péssima fase do Paraná Clube, que perdeu ontem para o Operário, de Ponta Grossa. Em nenhum momento foi citado o merecimento do time pontagrossense, que venceu o jogo por 2 a 1, apenas a má etapa do time da capital do estado.

Como se viu, porém, há um superávit entre os pontos positivos e negativos do Bom Dia Paraná. A RPC TV não poderia dispensar outro tratamento ao telejornal diário mais antigo da rede, fundado em 1983, junto com os outros Bom Dia Praça e o Bom Dia Brasil. O telespectador paranaense da manhã tem a oportunidade ideal para “começar o dia bem informado sobre as principais notícias do estado”, como diz a chamada do programa.


Texto: Eduardo Godoy
Imagem: Divulgação

domingo, 19 de dezembro de 2010

Natal do consumismo

Mais um Natal. Mais uma vez o consumismo ofuscando o motivo principal da festa. Em 2009 já escrevi sobre isso nesse mesmo espaço. Tinha esperanças que em 2010 o nascimento de Jesus aparecesse mais em relação à forma capitalista de comemorar. Que engano. As propagandas com produtos natalinos começaram no início de novembro, há cerca de dois meses da data.

Comprar, comprar e comprar! Este é o grito de guerra que move os consumidores. “É só uma lembrancinha”, “Presente de amigo-secreto”, “Tenho que fazer uma lista pra não esquecer de ninguém”, “Meu 13º vai todo pra comprar presentes”. Essas são as frases mais ouvidas em reportagens sobre compras de Natal na 25 de Março, em São Paulo (‘carne de vaca’ que faz parte do calendário jornalístico contemporâneo). Para os vendedores e empresários, vender, vender e vender! Tenho a impressão de que antes de começarem a jornada de 14 horas exaustivas de consumismo desenfreado, os lojistas gritem “vender, vender e vender!”.

As metas aumentam a cada ano. Porcentagens só sobem. Produtos estão sempre mais modernos. Crianças querem sempre mais. E no meio disso tudo, até os presépios vão desaparecendo das vitrines. Quem deu início a toda essa festa é esquecido, renegado às pequenas representações. Ninguém mais lembra o porquê de tantas compras, tanta comilança na ceia do dia 24, tanta confusão pelos melhores presentes.

Jesus? Ah... é aquele que nasceu na Páscoa, não é? O cara que realmente importa em dezembro é o Papai Noel. E em 2011, infelizmente, será da mesma forma.
Texto: Eduardo Godoy

sábado, 18 de dezembro de 2010

Rock in Rio: brasileiro até que medida?

Platéia na Cidade do Rock - Rock in Rio 2010 Lisboa



por Afonso Verner

Depois de anos longe, o Rock in Rio voltou à terra tupiniquim. A última edição no Brasil (2001) teve atrações internacionais como Iron Maiden, Foo Figthers, Guns N' Roses e Red Hot Chili Peppers. Na edição de 2011 o festival promete agradar com os shows já confirmados das bandas ‘gringas’ Coldplay, Motorhead, Snow Patrol e Metallica. Mas, em termos de atrações nacionais, o Rock in Rio 2011 deixa a desejar.

Na sua primeira edição (1985), o Rock in Rio teve na programação artistas principiantes no cenário musical brasileiro - como Lulu Santos, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Kid Abelha - que depois se tornaram referência para as próximas gerações. Na edição seguinte (1991) a organização continuou a acertar na escolha dos shows nacionais e internacionais. Dentre os gringos que subiram ao palco estavam Jimmy Cliff e Judas Priest; os brasileiros foram bem representados por Engenheiros do Hawaii, Titãs, Roupa Nova, Sepultura, Inimigos do Rei, Lobão, Paulo Ricardo, Capital Inicial, Léo Jaime e Nenhum de Nós. Em 2001 o destaque internacional foi para o Iron Maiden; já nesta edição notava-se a queda das atrações nacionais; nesse ano o destaque era Cássia Eller, que estava no auge da sua carreira. Antes divido entre três ou quatro artistas, agora o peso de atração principal do Rock nacional recaía apenas sobre a cantora.

Desde então o cenário nacional ficou estagnado. No festival de 2011 as atrações, legitimamente brasileiras, são quase todas remanescentes da década de 90 e até de 80; como Skank, Capital Inicial, Sepultura e Angra; fato que reflete a baixa produtividade do Rock Nacional nos últimos anos. A única exceção é a cantora Pitty, que participou da gravação do ‘jingle’ do Festival. A baiana de 33 anos lançou seu primeiro CD no ano de 2003 e participou do Rock In Rio Lisboa (2004), além de ter gravado ao lado de lendas do Rock Nacional, como no Acústico MTV da Banda Ira.

Contudo, apenas um artista em dez anos é muito pouco para o cenário roqueiro nacional. A escassez de atrações brasileiras, vindas da nova safra, na programação do Festival não é culpa ou escolha da organização. Parece mais com um conjunto de fatores, que envolve o público, meios de comunicação e as grandes gravadoras. O país tem sofrido uma invasão de ‘roqueiros’ que vestem colorido e falam de ‘amor adolescente’; o Rock politizado tem perdido espaço e se retido aos porões, cada vez menos freqüentados. Não é meu intuito entrar no mérito de isso é bom ou aquilo é ruim, mas desde a virada do milênio o Brasil perece de Bandas de Rock.

As últimas bandas aclamadas pela mídia e pelo público são do final da década de 90 e parte delas já se desfez. O Raimundos praticamente acabou depois da saída do vocalista Rodolfo Abrantes. Hoje o grupo voltou à estaca zero, atuando quase como uma banda independente. Rodolfo montou o Rodox, banda formada por músicos já rodados na cena, como o baterista Fernando Schaefer (ex-Pavilhão 9 e Korzus) e o guitarrista Patrick Laplan (atual Eskimo, ex-Biquini Cavadão e Los Hermanos). O grupo propôs um som pesado, intitulado por alguns como Hardcore Cristão, porém que não durou muito: em menos de dois anos o Rodox se desfez com uma briga em pleno show. O Charlie Brown Junior passou pela situação inversa: apenas o vocalista permaneceu e todos os outros integrantes deixaram o projeto. Chorão recrutou novos membros e continuou o trabalho, mas a banda nunca mais foi a mesma e o seu som mudou consideravelmente. Champignon assumiu o baixo da banda Nove Mil Anjos, formada também por Peu Sousa (guitarrista, ex-Pitty), Junior Lima (baterista, ex-Sandy & Junior) e Péricles Carpigiani (vocalista, ex-Fuga). O grupo logo ganhou destaque na mídia, já que os integrantes tinham fama individual anteriormente, porém esse sucesso não se repetiu com o Nove Mil Anjos, que não agradou nem publico nem crítica. Outras bandas como Tihuana, Detonautas, Matanza, Dead Fish, CPM 22 (deixando de citar várias outras) não renderam o que os críticos e o público esperavam e acabaram por ocupar um lugar secundário na mídia.

Se a descoberta de novas bandas virá em tempo ou não, aí é uma questão que foge do nosso controle. Mas a constatação de que o país anfitrião do Festival não terá a representação devida nos palcos é algo preocupante. Porém, é prepotência imaginar que o Brasil não tem bandas competentes o bastante para representá-lo bem. Basta imaginar que essas bandas estão por aí, perdidas em algum barzinho ou porão, sem ter o espaço midiático merecido. O que resta é descobri-las.

Texto: Afonso Verner
Foto: Agência Zero - http://www.flickr.com/photos/rockinrio/5126621811/

domingo, 14 de novembro de 2010

O Quadro das Maravilhas

Peça: O Quadro das Maravilhas
Autor: Jacques Prévert
Direção: Ângela Finardi
Grupo: Companhia de Teatro de Repertório da Univille
Cidade: Joinville - SC
Local: Calçadão
Data e horário: 09/11 – 10h
Duração: 55 minutos
Classificação: livre

A peça O Quadro das Maravilhas, apresentada pela Companhia de Teatro de Repertório da Univille, de Joinville (SC), acertou na interpretação, porém errou no formato. O que aconteceu não foi teatro de rua, e sim teatro na rua (o que é bem diferente). O espetáculo não foi feito para apresentação em pleno Calçadão, onde dezenas de pessoas passam a todo momento. Uma intervenção em um local totalmente público, com o palco e um camarim tomando conta do passeio mais movimentado da cidade. É preciso tomar cuidado ao intervir tão bruscamente assim em uma zona pública, local.

O “O Quadro...” teria acertado se fosse feito em um palco italiano, ou então em uma semi-arena, com o público centrando o olhar em um quadro mesmo (como acontece com as peças “tradicionais”). Os atores, bancados pela Univille, entretanto, demonstraram que sabiam o que iriam fazer. Tudo bem marcado, com as falas na ponta da língua e a interpretação bem ensaiada. Para o teatro de rua, repito, isso não é uma vantagem, já que é preciso lidar, muitas vezes, com a presença do público muito próximo e, eventualmente, com surpresas (como ocorreu na apresentação do dia anterior – Saltimbembe Mambembancos – que tiveram que lidar com um espectador um pouco alterado e o incorporaram à peça).
Destaque para a atriz Alessandra Passos (na foto, sentada), que deu vida, magistralmente, a um mendigo do século XVI, imaginado por Cervantes. Estrelinha dourada também para a diretora da trupe, Ângela Finardi, que consegue gerenciar os 14 atores como se fosse uma mãe (transpareceu isso no debate, após a peça). E aplausos para a Univille, que investe no teatro e mantém a Companhia, custeando todos os gastos que eles têm.

No geral, repito, a peça deveria ser apresentada em um palco italiano, com aparato de luz e um público que esteja lá com o intuito principal de ver o espetáculo. Seria melhor para os atores, amadores ainda, e para o público.

Nota: 8,0
Crítico: Eduardo Godoy
Foto: Eduardo Godoy/Lente Quente

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Pequenas coisas


Peça: Pequenas coisas
Autor: João Araújo e Verônica Gerchman
Direção: João Araújo
Grupo: Morpheus Teatro
Cidade: São Paulo – SP
Local: Cine-Teatro Ópera – auditório B
Data e horário: 08/11 – 22h
Duração: 55 minutos
Classificação: adultos e jovens

A arte de manipular bonecos é não manipulá-los, e sim deixar ser visto pelos olhos do objeto que se torna um ser. E foi assim que o Grupo Morpheus de Teatro, de São Paulo – SP, conseguiu sensibilizar a plateia, quase cheia, do auditório B do Cine-Teatro Ópera na noite de segunda-feira, 08. Cinco cenas, com cinco tipos de bonecos e dois criadores (contando ainda com a participação de mais um ator em uma das cenas). Misturado o riso ingênuo e a sensibilidade fina, foi a melhor peça de teatro de bonecos que já vi (e que, segundo a atriz Verônica Gerchman, concorre no quesito ‘sensibilidade’ com o espetáculo que a mesma trupe apresentará hoje, às 22h, no auditório B do Ópera – O princípio do espanto).

Os manipuladores conversavam indiretamente com seus bonecos e, aos olhos do público, via-se todos os sentimentos dos bonecos sendo transpassados para os manipuladores, em um jogo de troca emocional entre criador e criatura, surgindo um ser vivo no boneco. O ‘terceiro elemento’, como alguém disse no debate, após a peça.

E esse terceiro elemento é que estava em cena, no palco, sensibilizando a plateia. Lágrimas de choro com lágrimas de riso, se misturando no rosto do público. O maestro em seu último espetáculo, regendo a plateia. Um jovem e um velho, onde o primeiro precisa do abraço do outro, que é todo envergonhado. Um casal de velhos que vivem uma cena com uma comédia ingênua, com o senhor lembrando um tipo também ingênuo. Uma mãe preocupada que espera a filha, despreocupada, e sabe que ela irá atrasar, enquanto fica ensaiando como dizer que está muito doente. E, por fim, o fim. O fim da vida de um senhor, o pai da atriz, em um leito de hospital. A imaginação de sua alma se despedindo de seu corpo, enquanto a filha chora. E o choro não é ficção. É real. Assim como todo o espetáculo.

Nota: 9,5
Crítico: Eduardo Godoy
Foto: Eduardo Godoy/Lente Quente

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Saltimbembe Mambembancos

Peça: Saltimbembe Mambembancos
Autor: Grupo Rosa dos Ventos
Direção: Grupo Rosa dos Ventos
Grupo: Rosa dos Ventos
Cidade: Presidente Prudente – SP
Local: Calçadão
Data e horário: 08/11 – 10h
Duração: 60 minutos
Classificação: livre



O Grupo Rosa dos Ventos voltou às ruas nesta segunda-feira de muito sol para apresentar a peça Saltimbembe Mambembancos, concebida e dirigida pelos cinco integrantes da trupe. Mais uma vez, conseguiu atingir seu objetivo de fazer as pessoas que passavam pelo local rirem. E como riram!

Neste espetáculo, porém, o texto foi bem escasso, demonstrando que o circo era a peça fundamental para a diversão esperada. Diferente da tarde de ontem, 07/11, onde eles apresentaram A Farsa do Advogado Pathelin, no Parque Ambiental, o uso do escatológico para alcançar o riso foi bem menos empregado, deixando o público mais à vontade. O que era crítica negativa antes, parece que foi corrigida nesta concepção. Se foi por acaso, não sei. O que importa é que a ingenuidade do circo-teatro, do palhaço de rua, da alegria e improviso do artista foi colocada em um patamar acima, elevando a qualidade da peça.
E por falar em improviso, este espetáculo teve algo bem inusitado para uma peça de teatro, mas comum para o teatro de rua. Em certo momento, um senhor, aparentemente alcoolizado, começou a participar da peça, no picadeiro, sem convite. E os atores conseguiram, magistralmente, contornar toda a situação. Usaram o senhor (depois foi descoberto que ele fez teatro por 20 anos e, por causa do alcoolismo, foi deixando a vida dos palcos de lado) como elemento integrante do espetáculo. Estrelinha dourada para o grupo!

No mais, não sei o que falar de negativo da peça. Talvez os malabares e as acrobacias cansaram um pouco, às vezes. De novo, o som ao vivo me chamou a atenção. Além das músicas, que traziam uma referência às propagandas de produtos populares milagrosos, os efeitos sonoros em concordância com as ações foram componentes para o sucesso do espetáculo. Outro ponto positivo foi a interação com o público. Todos conseguiam ficar à vontade com as brincadeiras dos atores, de improviso. O Grupo Rosa dos Ventos, ao trazer elementos da cultura popular para a rua, consegue mostrar uma identificação com quem passava pelo Calçadão, que podia não ter assistido a peça desde o início, mas acompanhava normalmente qualquer momento, sem perder uma ligação textual contínua (presente nos teatros convencionais).


Nota: 9,0
Crítico: Eduardo Godoy
Foto: Thiago Terada/Lente Quente

Amargasalmas

Peça: Amargasalmas
Autor: Ribamar Ribeiro
Direção: Ribamar Ribeiro
Grupo: Os Ciclomáticos Companhia de Teatro
Cidade: Rio de Janeiro – RJ
Local: Cine-Teatro Ópera – auditório A
Data e horário: 07/11 – 20h30
Duração: 60 minutos
Classificação: 16 anos


A organização do Fenata pecou na noite do domingo ao não liberar a entrada do público antes das 20h20, formando um aglomerado de pessoas no hall do Ópera, com desconforto. A peça Amargasalmas só fui entender no debate. Mas, a partir do momento em que entendi, transformou-se em uma das melhores peças. Talvez não seja feita para um público com pouca formação teatral, ou déficit de atenção, sei lá. Digo isso do texto, porque a área técnica foi a melhor que já vi. A iluminação casando perfeitamente com a música cinematográfica (não que a utilização deste estilo musical seja positivo; no caso, causou até um descoforto por a música estar em diversos filmes - ficou 'pobre') deu um ar magistral ao espetáculo.

O texto, porém, ficou confuso às vezes. A poesia se destacou, em outras. O ritmo frenético do roteiro aumentou a importância da luz (e aqui coloco a sombra como parte integrante da luz) e do som. Frases marcantes no compasso apressado e a confusão das falas das personagens, falando juntas, foram pontos que me marcaram. Algumas cenas me atingiram como um tiro. Fantástica a sensação que senti durante a peça!

A cena da mãe parindo seu filho e o chamando de desgraçado, com o palco todo avermelhado e uma música forte foi uma das melhores que já vi. Duas personagens andando em volta atrapalhou um pouco, porém.

Um aspecto que me chamou a atenção a partir do cenário simples foi a situação do palco do Ópera. Parece ser preciso limpar o chão do placo ou pintá-lo novamente. Sobre o cenário, uma semiótica infundada, a meu ver, foi levantada no debate. A utilização de lãs coloridas penduradas não tem outra função senão “dar uma cor” para o cenário. Nada mais.

Voltando à peça, a interpretação deixou um pouco a desejar. Pelo ritmo constante, certas falas não foram compreendidas. Outras vezes, foi falado para o fundo do palco, o que fazia com que o público não escutasse (principalmente quem estava no fundo). Foi chocante ver a peça, principalmente por utilizar uma iluminação forte.

Nota: 8,0
Crítico: Eduardo Godoy
Foto: Marco Antonio Favero/Lente Quente

A Farsa do Advogado Pathelin

Peça: A Farsa do Advogado Pathelin
Autor: Anônimo
Direção: Roberto Rosa
Grupo: Rosa dos Ventos
Cidade: Presidente Prudente – SP
Local: Parque Ambiental
Data e horário: 07/11 – 17h
Duração: 65 minutos
Classificação: livre


Uma junção entre teatro, música e circo que resultou em uma excelente peça. Tirando o riso a partir do escatológico, o que não gosto em nenhuma peça, o espetáculo cumpriu com sua função: divertir em uma tarde de domingo, no parque. Foi bonito ver as famílias no Parque Ambiental (sem árvores, como frisou um dos personagens durante a peça, arrancando os risos mais importantes de todo o espetáculo!) conversando, rindo, comendo, se divertindo. O local não poderia ser mais apropriado, ainda mais aproveitando as lonas do Parque. Enquanto aconteciam dezenas de coisas em volta, embaixo de uma lona uma trupe se apresentava. Talvez seja a peça mais importante e funcional de todo o 38º Fenata.

Seguindo pela parte técnica, algumas falhas nos microfones chegaram a incomodar o público. O que foi compensado pelas adaptações engraçadas no texto, o ritmo circense durante a apresentação e a sonoplastia/música feita ao vivo por apenas uma pessoa. A inconstância no ritmo do texto às vezes parecia que iria acabar com o espetáculo; no entanto, sempre tinha algum fator que levantava a peça e fazia que o público não desejasse sair dali.

Reitero a desnecessária utilização de aspectos escatológicos para provocar o riso. Porém, parabenizo os atores, que prenderam o público embaixo da lona com suas espertezas circenses e teatrais. E também o músico, que soube utilizar os efeitos sonoros magistralmente. E a organização do Festival, que colocou a peça no melhor lugar e no melhor horário possível.


Nota: 8,5
Crítico: Eduardo Godoy
Foto: Marco Antonio Favero/Lente Quente - http://www.flickr.com/photos/lentequente/5156472660/

sábado, 6 de novembro de 2010

Medida por medida

Peça: Medida por medida
Autor: Willian Shakespeare
Tradução e adaptação: Fábio B. Torres
Direção: Val Pires
Grupo: Folias
Cidade: São Paulo – SP
Local: Cine-Teatro Ópera – auditório A
Data e horário: 05/11 – 20h30
Duração: 100 minutos
Classificação: 16 anos


O texto de Shakespeare encenado pelo Grupo Folias na noite desta sexta-feira teve pontos extremamente bons e outros que atrapalharam bastante o público. Comecemos pela parte ruim. A interpretação exageradamente técnica de alguns atores deixou transparecer a tensão sentida por eles ao se apresentarem para cerca de 700 pessoas. Como revelado no debate após a peça, é a primeira vez que a trupe se apresenta para tanta gente, em um palco italiano. Percebia-se, de perto, que a marcação era cumprida ‘à risca’, com passos e trejeitos ensaiados, mostrando que alguns atores não estavam muito à vontade na interpretação. Um ator não conseguiu impor a voz a certo ponto que nem este crítico, que estava na segunda fileira da plateia (local péssimo, diga-se de passagem), conseguiu ouvir.

Vamos passar para a parte positiva, pois. A interpretação da personagem Mariana (não tenho certeza do nome), a grávida que era também, mais pra frente, uma empregada doméstica, foi de se aplaudir em pé. É um forte concorrente para o título de melhor atriz coadjuvante. A transformação da personagem principal também foi bem interpretada pela sua atriz. O uso de dois andares no cenário também chamou a atenção. Foi interessante ver uma família, que poderia ser interpretada como que se estivesse embaixo de uma ponte, apreciando pela TV o dramalhão que acontecia no andar de cima. Um retrato bem feito sobre a diferenciação das classes sociais.

Mas o que mais marcou foi o figurino. Mais precisamente os calçados: All Star’s. Foi uma jogada espetacular a junção de roupas “clássicas” com os tênis contemporâneos (foi mais forte no século passado, sim; porém, vejo sua utilização hoje ainda marcada por um certo ar de revolução, diferenciação). Ponto para o figurinista!

Nota: 8,0
Crítico: Eduardo Godoy
Foto: Luana Stadler/Lente Quente - http://www.flickr.com/photos/lentequente/5151267540/

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O Beco

Peça: O Beco
Autor: Jorge Henrique Lopes
Direção: Sandro Maranho
Grupo: Cia Fantolkid’s Teatro de Bonecos
Cidade: Maringá – PR
Local: Cine-Teatro Ópera – auditório B
Data e horário: 04/11 - 22h30
Duração: 50 minutos
Classificação: adultos e jovens a partir de 12 anos

Saindo do auditório A e descendo para o auditório B, quem foi conferir a primeira apresentação da categoria Bonecos/Animação – Adulto viu uma peça que deveria ter sido colocada na categoria Bonecos/Animação – Crianças. Com falas explicativas por demais, os dois bonecos personagens (muito bem construídos, diga-se de passagem) brincavam com assuntos direcionados ao público infantil. A emoção e a diversão prometidas na sinopse do Guia de Programação deixaram a desejar. Até o modo e o tom de voz empregados não estavam de acordo com o público da categoria.

Porém, alguns pontos devem ser destacados. O cenário feito com lixo, a utilização apropriada da iluminação (mesmo parecendo ter sido feita de improviso, às vezes) e a construção dos bonecos chamaram a atenção.

Por ser uma família (Maranho) que faz tudo no espetáculo (mãe e filha e pai e filho trabalham em conjunto para os movimentos dos bonecos, enquanto outros cuidam da parte técnica) faz com que haja uma boa conexão. Entretanto, como já disse, a peça deixou a desejar.

Nota: 7,0
Crítico: Eduardo Godoy

O Avarento

Peça: O Avarento
Autor: O Grupo, a partir da obra de Molière
Direção: Gilberto Fonseca
Grupo: Farsa
Cidade: Porto Alegre – RS
Local: Cine-Teatro Ópera – auditório A
Data e horário: 04/11 - 20h30
Duração: 95 minutos
Classificação: livre



O Avarento, peça de estreia do 38º Festival Nacional do Teatro (Fenata), de Ponta Grossa, foi marcada pelo riso constante. Eram raros os momentos em que o público não ria com os gracejos dos personagens. Estrelinhas douradas para as atuações do pai avarento e do mordomo/copeiro/cozinheiro. As músicas cantadas pelos próprios atores, que lembravam um musical, serviram mais para o riso do que para completar algo. Não que isso seja um ponto negativo.

Quem estava no final do Cine-Teatro Ópera conseguiu escutar claramente o que os atores falavam, demonstrando um conforto da trupe com locais de apresentação grandes. Outro ponto positivo para o figurino, operacional e bem descritivo. Mais uma vez, o figurino do pai avarento e do mordomo/ copeiro/ cozinheiro chamou a atenção.


Entretanto, dois aspectos não foram bem utilizados. Parecem que esqueceram que a iluminação é questão fundamental para uma peça de teatro. A luz branca predominante, sem mudanças, deu um ar de teatro (no sentido de local) pequeno, sem aparatos técnicos. O que não é característica do Ópera. Outro ponto é o cenário. O tapete ao centro foi uma boa escolha. Porém, dois totens pretos (sei lá o que eram, na verdade) não tiveram utilidade alguma. E uma espécie de biombo colorido ao centro, para os atores se trocarem durante o espetáculo, não foi bem aproveitado.
Volto a frisar, no entanto, a atuação do pai avarento. Um dos candidatos ao prêmio de melhor ator.


Nota: 8,5
Crítico: Eduardo Godoy
Foto: Afonso Verner/Lente Quente - http://www.flickr.com/photos/lentequente/5148695268/