quarta-feira, 12 de maio de 2010

Outras vidas: teatro



O refúgio. Onde podemos ser quem quisermos, mostrando sempre a dualidade que faz a roda-viva que é nossa vida girar: a vida e a morte, o começo e o fim, o branco e o preto, o bem e o mal, o bom e o mau, o sim e o não. Pois no teatro, tudo pode acontecer. Todos podemos acontecer. Independente de quem sejamos, podemos ser o que não somos. Vemos a vida de outro modo. Vemos a vida pelos olhos de um menino, de um herói, de um vilão, de uma sombra no meio da vida corrida das pessoas, de um animal. Podemos iluminar um espetáculo, como uma mãe que permite que seu filho veja a luz do mundo pela primeira vez. Podemos musicalizar um espetáculo, como um pássaro que a gente ouve nos nossos melhores ou piores dias. Podemos errar, errar e errar. Sem medo, pois no próximo espetáculo teremos aprendido com o erro. É no teatro que mostramos a alegria do circo, a esperança de uma criança, o renascimento após uma guerra, enfim, mostramos ao público a vida, e, principalmente, aprendemos sobre este mistério inexplicável.

P.S.: Saudades das manhãs de domingo de Cia de Teatro Donalou. E d'Os Sombras.

Tributo a um amigo



César Crespo. Nome de grande importância para a Cidade Joia. Nome de grande importância para a cultura platinense. Nome de grande importância para a história da cidade. Mas, acima de tudo, nome de grande importância para quem convivia ou simplesmente já teve o prazer de uma conversa com ele.

Pai exemplar, avô exemplar, esposo exemplar, cristão exemplar, amigo exemplar, cidadão exemplar. Uma pessoa que viciava seus amigos com sua alegria, seu bom-humor e sua vivacidade. Foi difícil dizer o “até breve” pela última vez aqui.

Um dos idealizadores do Natal de Luz e grande incentivador, não será esquecido nunca. Sempre veremos sua imagem ali na frente filmando todos os detalhes da apresentação, ou nos corredores do prédio conversando. Como cristão, teve sua vida dedicada ao Pai e soube transmitir o amor por Ele ensinado a seus irmãos. Para quem não vive na cidade platinense, apenas uma padaria. Mas, para seus moradores, referencial do setor e ponto de encontro de amigos. Pode ter a certeza de que seu grande acervo de fotografias e vídeos de Santo Antônio da Platina é de valor inestimável para a história deste município. Muitos ainda terão a oportunidade de conhecer a vida platinense de anos e anos atrás graças à sua dedicação e paixão pela imagem. Resta aos platinenses agradecer pelo legado cultural e histórico deixado por César.

Porém, o que mais fará falta será o lado amigo e familiar deste grande homem, não no tamanho físico, mas sim no de seu coração. A dor pela partida é inevitável, entretanto a lembrança dos momentos não passará. O reencontro um dia é a esperança de muitos aqui. E também a certeza. Sua luta, sua garra e seu determinismo emocionaram quem o conhecia. Talvez essa sua certeza e esperança de que tudo iria dar certo tenha sido o motivo do choque pela notícia no último final de semana. Porém, Ele quis este anjo mais perto d’Ele. Não sei se é egoísmo meu querer que o amigo viva para sempre aqui na Terra, mas era o meu desejo. E creio que o desejo de tantos outros que o conhecia.

À família, desejo força neste momento difícil. Contudo, acredito que ele não gostaria de vê-los tristes. Sei que a lembrança daquele sorriso viverá para sempre na memória de seus amigos. Obrigado César por ter sido quem foi!

sábado, 1 de maio de 2010

Um mundo novo

Primeiro ato
Há 120 dias começava mais um novo ano. 2010 prometia ser bem diferente. Mas nem tanto como está sendo. Eu continuaria a trabalhar na Tribuna Platinense, tinha projetos de trabalhar em rádio, de uma Agência de Jornalismo, de continuar fazendo free lance. Iria cursar Jornalismo na Fanorpi e continuaria a morar com meus pais, na minha cidade, com as minhas pessoas a minha volta. Eis que numa jogada esperta do destino tudo vira de cabeça pra baixo. Numa manhã de sexta-feira tranquila, jornal entregue, programando o final de semana com amigos em Carlópolis, descubro que não mais poderei estudar na Fanorpi.


Segundo ato
A decisão é imediata: vou para Ponta Grossa. Não tinha outra alternativa. Mas a matrícula é na segunda-feira de manhã e não tenho nenhum dos documentos exigidos. E agora? Vamos correr! No final, depois de inúmeras dificuldades (xerox quebradoS, cartório cheio, histórico errado, secretária de férias etc) conseguimos tudo. Mas nem eu, nem meu pai, nem minha mãe nunca fomos a Ponta Grossa, não conhecemos nada lá. Google Maps e fé em Deus!!! Mais uma vez, tudo certo. Mas não tenho lugar pra morar em Ponta Grossa. Vamos passar o dia todo andando (completamente perdidos) pela cidade pra achar uma casa/kitinete/apartamento. E, para finalizar, tudo certo.


Terceiro ato
Agora é se despedir das pessoas, aproveitar os últimos dias na Cidade Joia, preparar a mudança e ir. Ir conhecer novas pessoas, novos modos de ver o mundo, nova cidade, nova forma de viver. Tudo começaria novamente. Só que agora sem a proteção das duas pessoas mais importantes na minha vida: meus pais. Mais de 17 anos com eles ali ao meu lado todos os dias, aconselhando, protegendo, brigando, amando! E agora? Como vai ser? O que vou encontrar? E se não der certo? Será que vou conseguir? É triste ter que dar tchau pra tanta gente, ver meus avós chorarem, acompanhar todos os traços da sua cidade a cada quarteirão em direção à rodovia que te leva pra outro mundo. Tentei ver e ouvir tudo com mais atenção e guardar dentro de mim pra poder me lembrar quando estiver longe. Meu quarto, minha casa, a vila, a Igreja Matriz, a praça, o Centro, o Calçadão novo e feio, a lembrança do Calçadão bossa-nova, a casa antiga dos meus avós, o Morro do Bim e o Cristo lá em cima, as casas, as lojas, a placa da entrada da cidade. E chega a estrada. Longa e triste estrada. A sensação de solidão já chegou, mesmo ainda acompanhado dos meus pais. As lágrimas chegam também, mas não caem. Não podem cair ali, do lado dos meus herois. Silêncio.


Quarto ato
Chegamos na nova cidade velha. Tirar todas as coisas do carro dá trabalho. E arrumar tudo em casa então? Nem me fale! Tento deixar tudo meio prático, mas organizado. "Meu jeito" está presente na arrumação. Pronto, acho que terminamos né. Chegou a hora? Mas já? Fiquem mais um pouco, tá cedo ainda! Não dá? Está bem, entendo. Tchau. Cuida da mãe. Cuida do pai. Vou ficar bem. Obrigado por tudo. Amo vocês!


Quinto ato
Quanta gente nova!!! Ponta Grossa, Curitiba, Foz do Iguaçu, Mafra, Telêmaco Borba, Cascavel, Castro, São Paulo, Ibaiti, Lapa, Caçador, Apucarana, Irati, Ivaí... Que animação! "Jornalismo é tudo. E tudo ao mesmo tempo é nada". Ahn?! Na primeira aula já começamos bem. O professor já assustando a muitos com suas teses do que é e do que não é jornalismo. Apresentação, o que viríamos no curso, recomendações, instruções sobre a Universidade etc. O difícil no início é saber com quem conversar, onde ir, o que fazer. E aí vem o trote. De manhã na sala, com apresentação e um mico básico. À tarde, no bar. Sem comentários. Próximooo...


Sexto ato
E os dias passam. E a gente conhece as pessoas. E a cidade vai parecendo menos complicada. Mas eu percebo que tem que limpar a casa, a roupa não vai ser lavada por ninguém, o lixo não vai lá fora sozinho, a louça não se lava automaticamente. Acho que a vida começou! Agora tudo depende de mim (a não ser quando minha mãe tem que depositar dinheiro no banco né). Já achei meu grupo, meus novos amigos. E como são legais! Passo o dia rindo com eles, me divertindo. Nas aulas, nos intervalos, no R.U., no MSN, nas horas vagas... Pelo jeito esses quatro anos serão inesquecíveis. E o Jornalismo me fascina a cada dia. Visita à RPC, aulas sensacionais de foto (as práticas, claro!), Escola de Governo, Episódio Zeca. Até os inúmero textos me encantam (exceto os de Teorias da Comunicação e Sociologia da Comunicação). E as aulas? Debates acalorados, conhecimentos inesperados, episódios engraçados, olhos amarrados, professores aloprados alunos amontoados, todos rimados (há!). A diversidade mostra sua face e surgem as fofocas, os preconceitos, os pré conceitos, as "discussões". E a vida acadêmica fora de casa segue, um dia após o outro prometendo ser inesquecível, porém as dificuldades que apareceram desde o início não vão acabar. Já voltei algumas vezes pra casa e vi que o cotidiano da minha amada cidadezinha do interior continua, mas parece não ser a mesma de dois meses atrás. Agora faço turismo lá, visito meus pais, meus amigos, hospedo na casa que vivi por 17 anos. Escrevendo agora sinto uma saudade imensa de SAP. Mas, como disse o Jean em seu blog, se volto pra minha cidade, "ao esconder da segunda lua provavelmente estarei louco de saudades da minha liberdade pontagrossense".

Sétimo ato
?????

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Páginas da Revolução (Sostiene Pereira?!)



Título: Páginas da revolução (Sostiene Pereira)
Ano: 1996
Diretor: Roberto Faenza
Produção: Portugal; França; Itália
Gênero: Drama
Duração: 104 minutos / cor
Tema: O Salazarismo e a influência da censura na mídia
Elenco: Marcello Mastroianni, Joaquim de Almeida, Daniel Auteuil, Stefano Dionisi, Nicolatta Braschi, Marthe Keller, Teresa Madruga, Nicolau Breyner, Filipe Ferrer, João Grosso



O filme Páginas da Revolução se passa na Lisboa dos anos 30, época de grande movimentação devido à Guerra Civil Espanhola e a ditadura de Salazar. O personagem principal, Pereira, é um senhor solitário, editor de cultura de um jornal. Ele conversa diariamente com o retrato de sua esposa, já morta, e convive com uma zeladora delatora em seu prédio.
Com o intuito de preparar necrológios antecipados de escritores famosos, Pereira contata-se com Monteiro Rossi, um jovem escritor de quem lera uma crônica sobre a morte. Eles marcam um encontro em um baile popular tipicamente fascista, com crianças uniformizadas militarmente e discursos acalorados. Rossi leva também sua namorada Marta, que é totalmente contra a ditadura de Salazar. O casal mostra bem a juventude contra-revolucionária, idealista e empolgada. O primeiro texto que Rossi entrega, porém, é altamente contra-revolucionário, e Pereira afirma que a censura não aceitaria a publicação. Entretanto pagá-o normalmente e concede adiantamentos para seu novo contratado.

O editor conhece Dr. Cardoso em uma clínica de emagrecimento. Este lhe fala sobre sua teoria de congregação das almas e sobre o “eu dominante”. O médico diz que o “eu dominante” de Pereira é o conservador, mas que outro “eu” pode estar surgindo e assumir a posição do “eu dominante” e isto vai alterar a forma de agir de Pereira. Esta mudança é percebida quando ele toma a decisão de ajudar a um fugitivo político amigo de Rossi e Marta a escapar da prisão. No começo da trama, Pereira mostra-se acanhado politicamente, sem reação. Ao longo do filme ele vai mudando, voltando sua visão para contra a ditadura Salazarista, e assume um ar jovial e idealista, influenciado pelo novo amigo escritor de necrológios.

No final, Pereira publica um artigo contra-revolucionário no jornal, enganando o responsável pela gráfica. Dr. Cardoso o ajuda, fazendo-se passar pelo censor que autoriza a publicação. Após isso, o editor aparentemente foge da possível represália que sofreria.

Um personagem importante é o barista Manuel, amigo de Pereira que o mantém informado dos fatos que ocorrem nas ruas de Lisboa e que a censura não permite a publicação. Vê-se aí a figura de um editor de um jornal que tem menos informações noticiosas do que um barman, já que o próprio jornalista não entra em contato com essa realidade em seus meios de comunicação fortemente censurados. Outro ponto a ser destacado é a importância que Rossi dá às coisas “escritas com o coração”. Pereira diz que no meio jornalístico isso não é o fundamental, porém ao longo do filme essa visão sofre mudanças.

A obra nos dá uma boa noção sobre como a censura age no jornalismo e nos jornalistas, alienando-os e colocando-os na posição que o poder maior (o governo vigente) exige. Porém, nos mostra como a liberdade de expressão é de suma importância para o alcance da informação e da formação opinativa da sociedade. A coragem do personagem principal do filme é algo em que os jornalistas devem se espelhar para a construção do jornalismo livre.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Saudade

Saudade que brota do fundo de minh'alma
e chega até meus lábios tristonhos,
saindo como um lamento,
carregado de letras que formam seu nome.

Que sou? Uma pobre criatura infeliz,
a remoer esperanças vãs, que sei,
nunca serão realidade!

Mas o que faço para fugir deste sentimento
que me arrasta até você,
levado somente pela lembrança do som de sua voz,
que ficou como uma suave melodia em meus ouvidos!?

- Maria Alice da Silva -

sábado, 10 de abril de 2010

Vida e morte: inevitáveis!

Acabei de ver um trecho do último capítulo da novela Cama de Gato, da TV Globo. Não que eu gostei e acompanhei a obra. Só estava mudando de canal e vi. Porém, esse pedaço que assisti me chamou muito a atenção. O “mocinho”, jovem, já doente, prevê que está chegando a hora de sua morte. Chama então seus três melhores amigos para se despedir. A comoção é geral entre todos. Porém, comoções diferentes. A mulher que o amava (com um sentido diferente de amor de amigo) chora pela perda de seu companheiro. A mulher que o jovem amava (com o mesmo sentido anterior) apenas se despede e deseja que Deus cuide dele. E o amigo de infância, que, depois de muitas brigas, consegue perdoá-lo por uma brincadeira, tenta falsear aquele momento e prolongar a vida do amigo. Entretanto, o jovem prestes a morrer apenas se despede. Podem-se notar no semblante dele sua calma, conformidade e alegria por ter aquelas três pessoas ali, ao seu lado. O momento mais aguardado da vida de qualquer pessoa chegou para ele: sua morte. A hora de ver o que nenhum ser vivente conhece, ou seja, o que há depois do fim. O que há depois do fim?





É tão difícil escrever sobre algo que não se conhece, se é que existe de fato. E por ser tão difícil e desconhecido é que se torna um mistério que levamos durante todo o tempo em que existimos aqui neste mundo. Quem nunca de deparou pensando em como será depois que partirmos daqui? É próprio do ser humano querer saber o que vai acontecer amanhã, semana que vem, no próximo ano, depois da morte. Necessitamos ter um cronograma de nossas vidas, mesmo sendo ele totalmente mutável. Amanhã vou estudar, semana que vem vou numa festa, no próximo ano vou comprar um carro, depois da morte vou... Não, eu não sei o que vou fazer quando morrer. É imprevisível e misterioso este momento.


Cada um de nós é como um livro, que guarda seu início, seu meio e seu fim.”


Mas voltando aos quatro amigos, vemos o quanto é importante o que fazemos a cada dia. Nosso comportamento, nossos ideais, nosso modo de viver, nossa terra, tudo é condicionante das pessoas que teremos ao nosso lado. O “início” é marcado pelos pais e pela família. No “meio” são os amigos (e muitas vezes os pais e a família também!) e a sociedade o ideal que buscamos. E o fim, parafraseando um professor meu, “é tudo. E sendo tudo é ao mesmo tempo nada.” É no fim que saberemos se o que foi feito durante tantos anos valeu a pena. Baterá naqueles que não souberam aproveitar a vida a sensação de arrependimento, tristeza e dor. A única chance foi desperdiçada.

Alguns podem achar feio eu estar escrevendo isso (se é que alguém vai ler), mas a morte é inevitável, infelizmente. Assim como a vida! Por isso quero viver intensamente, e não apenas sobreviver a cada dia. E no fim olhar pra trás e ver como foi bom! Quero morrer feliz.




P.S.: Não houve jeito de evitar os clichês!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Liberdade de expressão sim; ofensas não!

Programa RP2, da TV Vila Velha, é apresentado pelo "repórter-policial" Zeca. (Reprodução)



Um caso lamentável chocou os jornalistas (formados!), estudantes de Jornalismo e a sociedade brasileira esta semana. O apresentador do programa policial RP2, da TV Vila Velha de Ponta Grossa - PR, ameaçou e ofendeu moralmente um aluno e sua família ao vivo em seu programa devido a um artigo escrito no blog Crítica de Ponta, atualizado pelos alunos do 2º ano de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com críticas sobre a mídia regional e nacional para uma disciplina do curso. No artigo, com o título “Um exemplo a NÃO ser seguido”, o estudante escreve, principalmente, que o programa usa do sensacionalismo para chocar os telespectadores e conseguir aumentar seu índice de audiência. Porém, o texto é escrito sem agredir ao público do programa ou aos seus produtores. Entretanto, o apresentador e “repórter-policial” Zeca, viu essa crítica como pessoal. Aí vieram os xingamentos, as ameaças e as ofensas, não só ao aluno, mas também à sua família, ao curso, à classe e à Universidade.

O foco principal agora não é se o apresentador ou o estudante tem razão, ou o tipo de “jornalismo” que o RP2 faz. O que deve ser discutido é a liberdade de expressão. Não se pode mais opinar sobre algo que te chame a atenção? Uma crítica não é sinônima de ofensa. O que o estudante fez não foi insultar alguém, e sim dizer o que ele pensa sobre a forma como o programa é produzido e levado às casas dos assinantes desse canal de TV. O apresentador tem todo o direito de criticar a crítica, mas da mesma forma feita pelo aluno: civilizadamente. A liberdade de expressão é o suporte vital para a democracia, e deve ser feita com respeito. Como exigir que a soberania popular exista na sociedade se quem a faz não pode sequer apreciar sobre um simples programa televisivo ou se ofende com a opinião alheia, atacando o crítico? Se todos seguissem esse exemplo, a sociedade viraria um verdadeiro campo de batalhas, com afrontas de todos os lados. Seriam todos contra todos.

A censura é erguida com atos como o desse caso, pois dão respaldo ao fechamento do debate e sua repreensão. Ela suprime ações da comunicação de tal forma que o pensamento é monopolizado, não aceitando qualquer outra opinião.

O verdadeiro jornalista não censura! Ele sabe que a diversidade de ideias e ideais é que faz com que o coletivo evolua. Porém, isso dificilmente é aprendido fora de uma universidade, pois não é difundido na sociedade como deveria ser. São esses “jornalistas” que Vossas Excelências ministros do Supremo Tribunal Federal queriam?

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O palanque perfeito


Pessutão busca a chefia do Palácio das Araucárias.



A 38ª Efapi – Exposição Feira Agropecuária, Comercial e Industrial do Norte Pioneiro, de Santo Antônio da Platina, serviu de palanque para a maioria dos pré-candidatos paranaenses. O governador do Estado e o vice peemedebistas Roberto Requião e Orlando Pessuti, respectivamente, aproveitaram a visita para entregar veículos ao Corpo de Bombeiros e à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (SEAB) do Norte Pioneiro. Requião almeja o Senado. Pessuti quer o Governo Estadual, assim como Osmar Dias (PDT) e Beto Richa (PDSB). Dias também compareceu à feira e lembrou dos quase dez anos vividos na região. Apenas Richa não participou da Expo, já que, possivelmente, não precise dos votos do Norte Pioneiro, pois concentra a empreitada ao Palácio das Araucárias no sul do Estado.

A Efapi é o local perfeito para campanha, já que os políticos podem se aproximar do eleitorado. Nos discursos, promessas de mudança, para os novos, e exposições dos feitos realizados pelos que buscam a reeleição. As eleições são a oportunidade de escolher o representante ideal. A pesquisa da vida dos candidatos e a cobrança das promessas devem ser praticadas por nós, eleitores.




REFERÊNCIAS
Editorial “O palanque perfeito”. Tribuna Platinense, Santo Antônio da Platina, 26 de março de 2010, edição 1118, Artigos/Opinião, p. 2.

Construindo o fim da censura


Chico Buarque foi um dos principais contestadores da ditadura militar no Brasil. No álbum Construção, de 1971, Chico expõe a vida dura do trabalhador brasileiro na época. Ele, que tinha se exilado na Itália, volta ao Brasil em 1969 e lança esse disco, o melhor de sua carreira. A música “Deus lhe pague” abre o álbum, com sons parecidos com o de uma locomotiva, onde ele canta que o povo agradece, ironicamente, o pão pra comer, o chão pra dormir, a concessão pra sorrir, o ar pra respirar e até por deixá-lo existir. O sofrimento do povo é mostrado já no início do disco, que contesta o governo militar. Em seguida, “Cotidiano”, música que se tornou grande sucesso de Chico, revela como era, cronologicamente, o dia do brasileiro na época, colocando, para isso, uma história de um casal em primeiro plano. O samba “Desalento” dá um toque romântico ao disco. A quarta faixa, “Construção”, é a obra prima do disco e uma das melhores músicas brasileiras. Com apenas dois acordes, ele constrói a vida de um pedreiro sem perspectivas, destinado a morrer na construção civil. Na primeira parte da música, antes da morte, os fatos se relacionam, mas na segunda parte, após a morte do pedreiro, tornam-se desconexas, graças à troca da última palavra de cada verso. A sonoridade vai aumentando conforme o andamento da canção. Para finalizar, ele incorpora uma parte da música de abertura do álbum, “Deus lhe pague”, mostrando a relação entre a vida do pedreiro e o modo de vida que os militares estavam impondo aos brasileiros. Em “Cordão”, novamente uma crítica ao governo militar. “Ninguém vai me acorrentar enquanto eu puder cantar, enquanto eu puder sorrir”, diz uma parte da música. A próxima canção, “Olha Maria”, Tom Jobim participa com seu piano indescritível, porém parece não se relacionar com o restante do disco, ficando isolada das outras músicas. “Samba de Orly” traz, mais uma vez, referências ao momento passado pelo Brasil. Um amigo que se despede de outro no aeroporto europeu e pede para que traga notícias boas da terra tupiniquim. Uma canção de amor, “Valsinha” tornou-se outro sucesso de Chico, expondo um feliz encontro de um casal. “Minha história” traz uma alegre música do Menino Jesus. Finalizando essa obra prima, uma linda canção de ninar. “Acalanto” sugere que não vale a pena acordar, que a vantagem da negligência do sono é a vantagem absoluta para combater a realidade. Uma música curta que, com o som do violino ao fundo, traz um arranjo lindíssimo e dá um toque de fim, de sono ao álbum: as músicas e os ideais adormeceram.



REFERÊNCIAS
BUARQUE, Chico. LP “Construção”. Phonogram/Philips, 1971.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Receita de ano novo

Recebi um e-mail com esse poema do Carlos Drummond de Andrade. Tem tudo a ver com a época, com todos os seus clichês imprescindíveis.

Receita de ano novo
(Carlos Drummond de Andrade)

Para você ganhar belíssimo Ano Novo,
Cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação
Com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido)
Para você ganhar um ano
Não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
Mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
Novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
Novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
Mas com ele se come, se passeia,
Se ama, se compreende, se trabalha,
Você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
Não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
Passa telegramas?)

Não precisa
Fazer lista de boas intenções
Para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
Pelas besteiras consumidas
Nem parvamente acreditar
Que por decreto de esperança
A partir de janeiro as coisas mudem
E seja tudo claridade, recompensa,
Justiça entre os homens e as nações,
Liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
Direitos respeitados, começando
Pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
Que mereça este nome,
Você, meu caro, tem de merecê-lo,
Tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
Mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
Cochila e espera desde sempre.

Pense nisso...

Tenha um FELIZ ANO TODO!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Chega logo 2010!

Final de ano, época de balanços e promessas. Também quero fazer isso. O local é aqui e o momento é agora. Para começar, um trecho de uma música que acabei de ouvir: "Este ano quero paz no meu coração". Bom, acho que resumi tudo o quero para 2010. Fim.

Nããããão!!!! Vamos fazer direito.

2009 não foi lá aquelas coisas né, mas.... fazer o que? O jeito é seguir em frente. Começamos com crise econômica, gripe do porco, mudança no Enem, fraude do Enem. Pra melhorar foi meu ano de vestibulares. Tensão e cobrança na escola. Junta-se a isso um pouco de ansiedade e a saudade antecipada dos meus amigos, que praticamente todos irão se separar. Uma pitada de tristeza no amor (e que pitada!) e está feito um dos piores anos.

Mas por outro lado, 2009 foi o ano em que eu me decidi pelo Jornalismo. E isso é bom! Consegui um emprego bom, com o que eu quero. Fiz boas amizades na área, que acho que poderão me ajudar muito daqui pra frente (espero!). Descobri uma coisa muito importante sobre meu passado. Descobri que tenho uma irmã. Mas não sei quem é, onde mora, o que faz. Ainda.

Li bastante. Ri bastante. Cantei. Dancei. Me diverti. Fotografei. Beijei. Amei. Aconselhei. Rezei. Orei. Chorei. Me emocionei. Me despreocupei. Escrevi. Passeei. Fui em shows. Fiz teatro. Estive com meus amigos e aproveitei ao máximo. Disse a meus pais o quanto eu os amo. Abracei quase todos meus amigos e minha família.

Tá bom: não foi um ano tããão ruim assim. Mas não foi dos melhores não. Enfim, espero que 2010 seja melhor que 2009 e pronto.

O que eu espero para 2010? Sendo bem objetivo: que o curso de Jornalismo seja legal e eu goste, que eu encontre alguém pra amar, que minha família continue sempre unida, que eu cresça no meu trabalho e na minha área, que eu faça novos amigos e continue com os que já tenho. Só. Fácil, né?

Como as coisas mudam de um ano para outro, não? 2008 estava tudo diferente. 2009 (2000inove) as coisas mudaram de novo. E 2010 já promete muito mais mudanças. Então, que venha logo 2010, ano em que não podemos fazer trocadilho com os números, mas que espero ser realmente o das inovações!

Feliz Ano Novo!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Natal?

Qual o verdadeiro sentido do Natal? Parece clichê, mas mesmo assim ultimamente as pessoas não estão nem ligando pra isso. Não se fazem mais Natais como antigamente.

Eu estava em uma "ceia" agora há pouco. E fiquei pensando: com todo esse espírito de Natal, nascimento de Jesus e tal, como a gente pode se preocupar tanto com a quantidade e a variedade de carne que vamos comer??? A gente (digo "a gente" porque, mesmo não sendo nós os assassinos primários, somos nós que comemos) mata animais para poder comê-los na noite de Natal! Não deveria ser ao contrário? Uma noite de relação com a natureza que Deus fez e etc? Mas não. Nos deliciamos com o corpo de outros seres vivos. Jesus veio para salvar só os seres humanos ou toda a criação de Seu Pai??? Agora fiquei mais intrigado ainda!

Mas voltando ao espírito de Natal. Eu disse que não se fazem mais Natais como antigamente. Parece que a cada ano que passa, essa época vai ficando cada vez mais reduzida e "normal". Ontem que fui perceber que já era dia 23 de dezembro! As crianças não ligam mais tanto pra essa época. Só pensam nos presentes (e que presentes!!!)

Amanhã já até imagino como vai ser: bebedeira, comilança, falação das vidas alheias, etc etc etc. Família??? Sem comentários.

Estava assistindo ao final da Missa do Galo, direto do Vaticano. Pra quê tantas regras??? Por que eles fazem uma missa só para ricos??? Pra mim, o mais importante é compreender que estamos comemorando o nascimento de Jesus, que nasceu para morrer para nos salvar!!! Eu acho que Ele não gostaria de ver isso do jeito que é, no que se transformou. Tanto glamour, tantas regras, tantos bens materiais dentro da Sua Igreja. Enquanto isso muitas pessoas do lado de fora passando frio e fome.

Estou um pouco desacreditado em Natal. Feliz aniversário Jesus!